a fumaça verdes dos green bonds

A FUMAÇA VERDE DOS GREEN BONDS

ECONOMIA DE BAIXO CARBONO – TÍTULOS VERDES – DESCARBONIZAÇÃO

Gisele Victor Batista

No Workshop II sobre Títulos Verdes promovido pelo CEBDS e apoiado pela FEBRABAN, GVCes –FGV e organizações internacionais, foram levantados os aspectos do monitoramento, reporte e aspectos do mercado de Green Bons no Brasil e no Mundo.

Green Bonds são títulos de renda fixa, onde o emissor capta recursos para financiar exclusivamente projetos sustentáveis, tais como energia renovável, eficiência energética, gestão sustentável de resíduos, transporte de baixo carbono, projetos florestais etc. Os títulos também podem ser usados para financiar projetos com benefício social, como a melhoria da saúde e dos serviços sociais.

O evento enfatizou, sobretudo, a questão da descarbonização da economia global (ou economia de baixo carbono), à luz do Acordo de Paris – compromisso internacional para a redução das emissões dos Gases do Efeito Estufa (GEEs). Foram apresentados alguns números que sinalizam que a adoção de ações de economia de baixo carbono vem se consolidando nos últimos anos, o que sinaliza um período de transição da descarbonização das atividades produtivas.

Segundo um relatório da Low Carbon Economy Index (2016), para alcançarmos as metas de redução dos GEEs, há necessidade investimento em atividades que garantam a descarbonização do planeta em 6,5% ao ano, até 2100. Esta nova visão de mundo pode atingir a forma de gerir a economia no Brasil, seja para reduzirmos nossas emissões, seja para mantermos as exportações de nossos produtos, sobretudo naqueles países que estão engajados na economia de baixo carbono.

Os Green Bonds contribuem fortemente para as redução dos gases poluentes e está alinhado aos princípios do Acordo de Paris. Esta tendência é comprovada através dos fortes investimentos, com destaque a 2016, de recursos financeiros destinados a projetos verdes e sustentáveis que visavam à redução dos GEEs. Neste mercado de transição para economia de baixo carbono, muitos países já iniciaram a precificação do carbono e, certamente, o Brasil terá que se adaptar a este novo universo de negócios.

Cerca de 20 trilhões de dólares têm sido destinados a investimentos em responsabilidade sócio ambiental em todo o mundo. Além dos aspectos de liquidez, risco e retorno econômico, as instituições financeiras buscam investigar se os projetos possuem o aporte sustentável, principalmente na redução dos impactos causados pelas mudanças climáticas. Isto tem ocorrido, em maior número, nas Sociedades por Ações (S.A), as quais são as principais empresas que geraram Green Bonds.

Por fim, o evento identificou o Brasil como grande potência econômica e ambiental para estruturação de uma economia de baixo carbono. Apresentou os setores potenciais para receber estes investimentos e emissão de títulos verdes e o papel dos consultores ambientais neste novo mercado de capitais.