Coreia do Sul – Plano de medidas para combater as mudanças climáticas

Seul Korea do Sul

Coreia do Sul – Plano de medidas para combater as mudanças climáticas

A Coréia do Sul pretende atingir parte de sua meta usando “créditos de carbono de mecanismos do mercado internacional”
Visão geral
O governo sul-coreano divulgou recentemente um novo plano de 15 anos para o fornecimento e demanda de eletricidade, que confirma a intenção declarada do presidente Moon Jae-in de aumentar a participação da geração de eletricidade renovável. Este é um sinal positivo de que o governo está disposto a tomar medidas mais firmes para combater as mudanças climáticas. Sob o plano, a Coréia do Sul pretende expandir a participação das energias renováveis ​​em 2030 para 20% da eletricidade gerada, com base na participação de 10% até 2024 atualmente visada pelo padrão do portfólio de energias renováveis.

O Plano também inclui projeções de novas capacidades a gás a um nível inferior ao anunciado anteriormente. Isso deve-se, em parte, ao esperado menor nível de demanda de pico de eletricidade em 2030 (-11%) e à incapacidade do governo de fechar as usinas a carvão já planejadas ou em construção. Isso significa que o mix de geração de energia da Coreia do Sul continuará altamente dependente do carvão térmico, que ainda será responsável por mais de um terço da eletricidade gerada em 2030.

Se totalmente implementado juntamente com o esperado nível mais baixo de demanda de eletricidade, esses anúncios levariam a reduções de emissões de cerca de 53 a 69 MtCO2e / ano (7-9%) abaixo do atual nível de projeção de política em 2030, ainda muito longe da meta NDC nível a ser alcançado internamente (ver “Projeção planejada de políticas” no gráfico).

Os compromissos de mitigação da Coreia do Sul ainda são muito fracos, permitindo que as emissões domésticas de gases de efeito estufa em 2030 mais do que doem em relação aos níveis de 1990. Com emissões já acima dos níveis de 1990, e em um país com algumas das emissões que mais crescem na OCDE, o governo tem muito trabalho a fazer.

Em 2016, a Coréia do Sul apresentou sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), incluindo uma meta de redução de emissões de GEE excluindo o uso da terra, mudanças no uso da terra e florestas (LULUCF) em 37% abaixo das emissões atuais (ou 18% abaixo do nível de 2010). ) até 2030. Com base nesta meta, classificamos a Coréia do Sul como “Altamente insuficiente”.

Em sua Lei de Crescimento Verde atualizada, a Coréia do Sul substituiu sua promessa de 2020 com a meta de 2030 da NDC (República da Coréia, 2016). Dado que o compromisso de 2020 era mais ambicioso do que a meta do NDC – visando um nível de emissões semelhante ao de dez anos antes -, o NDC realmente representa um enfraquecimento dos planos climáticos da Coréia do Sul.

A meta da NDC permite que as emissões domésticas de gases de efeito estufa (excluindo as emissões do setor de uso da terra) mais que dobrem até 2030 em comparação com os níveis de 1990. Dado que os níveis atuais de emissão já estão acima do nível-alvo de 2030, as emissões precisariam atingir um pico e começar a declinar para estarem no caminho certo para a meta do NDC. Para conseguir isso, são necessárias políticas mais rigorosas, mesmo para um alvo fraco.

A Coréia do Sul pretende atingir parte de sua meta usando “créditos de carbono de mecanismos do mercado internacional” (República da Coréia, 2015). O Governo esclareceu que uma redução de 25,7% abaixo do BAU será alcançada internamente e uma redução adicional de 11,3% será alcançada pelos mecanismos do mercado internacional (Ministério do Meio Ambiente, 2015).

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CRÉDITOS DE CARBONO

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CRÉDITOS DE CARBONO

Comprar créditos de carbono para compensar emissões

Créditos de Carbono –  Como funciona o mercado de crédito de carbono

Através de Compensações:

Cada tonelada de CO2e (equivalente) não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento pode ser negociada no mercado mundial

  • Comercializamos créditos de carbono, entre em contato por: sequestrarcarbono@gmail.com

Crédito de carbono é o mecanismo que permite aos países em desenvolvimento, vender “créditos de carbono” a um país desenvolvido para que este possa atender parte da redução de emissões de gases de efeito estufa exigida pelo protocolo de Kyoto. Portanto, os países que não conseguirem atingir suas metas terão liberdade para investir em projetos MDL de países em  desenvolvimento.

A compra dos créditos permite-lhes manter ou aumentar suas emissões .

Estes créditos de carbono são considerados commodities (mercadorias negociadas com preços estabelecidos pelo mercado internacional).

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A partir dos anos 2000, entrou em cena um mercado voltado para a criação de projetos de redução da emissão dos gases que aceleram o processo de aquecimento do planeta.

Trata-se do mercado de créditos de carbono, que surgiu a partir do Protocolo de Quioto, acordo internacional que estabeleceu que os países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) 5,2% em média, em relação aos níveis medidos em 1990.

O Protocolo de Quioto criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução certificada das emissões. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução da emissão de gases poluentes tem direito a créditos de carbono e pode comercializá-los com os países que têm metas a cumprir.

“O ecossistema não tem fronteira. Do ponto de vista ambiental, o que importa é que haja uma redução de emissões global”, ressalta o consultor de sustentabilidade e energia renovável, Antonio Carlos Porto Araújo.

Durante a última Conferência do Clima (COP 17), realizada em 2011, na África do Sul, as metas de Quioto foram atualizadas e ampliadas para cortes de 25% a 40% nas emissões, em 2020, sobre os níveis de 1990 para os países desenvolvidos.

“Isso pode significar um fomento nas atividades de crédito de carbono que andavam pouco atraentes”, disse Araújo, autor do livro “Como comercializar créditos de carbono”.

O Brasil ocupa a terceira posição mundial entre os países que participam desse mercado, com cerca de 5% do total mundial e 268 projetos. A expectativa inicial era absorver 20%. O mecanismo incentivou a criação de novas tecnologias para a redução das emissões de gases poluentes no Brasil.

Cálculo

A redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) é medida em toneladas de dióxido de carbono equivalente – t CO2e (equivalente). Cada tonelada de CO2e reduzida ou removida da atmosfera corresponde a uma unidade emitida pelo Conselho Executivo do MDL, denominada de Redução Certificada de Emissão (RCE).

Cada tonelada de CO2e equivale a 1 crédito de carbono. A idéia do MDL é que cada tonelada de CO2 e não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento possa ser negociada no mercado mundial por meio de Certificados de Emissões Reduzidas (CER).

As nações que não conseguirem (ou não desejarem) reduzir suas emissões poderão comprar os CER em países em desenvolvimento e usá-los para cumprir suas obrigações.

Fontes:
Ministério do Meio Ambiente 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República
Conselho Monetário Nacional (CMN)

  • O Mercado de Carbono no Mundo – Preço do CO2 – Credito de Carbono
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Sequestro de carbono

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Sequestro de carbono

Sequestro de carbono é um processo de remoção de gás carbônico da atmosfera.

A forma mais comum de sequestro de carbono ou captura de carbono é realizada de forma natural pelas florestas. Processo também conhecido como remoção de gás carbônico.

Neste processo, os oceanos aparecem como principal ator, em seguida vem as florestas e outros locais onde organismos vivos capturam o carbono por meio de fotossíntese.

Em uma floresta em desenvolvimento, cada hectare tem capacidade de poder absorver uma média de 200 a 270 toneladas de carbono (gás carbônico (CO2) presentes na atmosfera ao longo de 20 anos).

Segundo um estudo realizado pelo Instituto Totum e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, estima que em média cada hectare de Mata Atlântica pode absorver até 13,60 toneladas de gás carbônico (CO2) equivalente ao ano.

Para fazer a estimativa, foi considerado um plantio médio de 1.667 mudas por hectare, com uma amostra de árvores de 3 a 11 anos de idade , sendo projetada uma expectativa para a idade de 20 anos.

A remoção anual pode chegar a 10,11 kg de CO2 por árvore, dependendo de diversos fatores, como espécie, clima e solo, que impactam o desenvolvimento das árvores em cada local (Bioma).

As principais causas do aumento do nível de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera são promovidas pelas atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis ficando em destaque a aviação e navegação e a utilização de calcário para a produção de cimento, bem como os diferentes usos da terra, associados ao desmatamento e queimada, contribuindo muito para o avanço do aquecimento global.

O Conceito de sequestro de carbono foi celebrado pela Conferência de Quioto, em 1997, com a finalidade de conter e reverter o acúmulo de CO2 na atmosfera, visando à diminuição do efeito estufa. Atualmente existe uma grande variedade de métodos e tecnologias artificiais para captura e sequestro de carbono, visando a mitigação do efeito estufa.

Na 21ª Conferência das Partes (COP21) da UNFCCC, em Paris, foi adotado um novo acordo um tratado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, com o objetivo central de fortalecer a resposta global à ameaça da mudança do clima e de reforçar a capacidade dos países para lidar com os impactos decorrentes dessas mudanças.

O Acordo de Paris foi aprovado por 195 países.

Foi um compromisso considerado “histórico,” com o principal objectivo de conter o aquecimento global do planeta, ao reduzir as emissões de gases com efeito estufa.

 

Projetos de carbono – Como fazer projetos de crédito de carbono e contribuir para Economia de Baixo Carbono

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Gisele Victor Batista – Drª Engenharia Civil, Geógrafa

Geógrafa (UDESC/UFSC), Doutora em Engenharia Civil – Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão Territorial (UFSC), Mestre em Geografia – Análise da Qualidade Ambiental (UFSC), MBA Gerenciamento de Projetos (FGV) e MBA em Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças Corporativas (IPOG). Possui larga experiência em elaboração e gerenciamento de projetos de Meio Ambiente, Urbanismo e Arquitetura, nos segmentos público e privado. Diretora da empresa Harpia Meio Ambiente, onde desenvolve Estudos para o Licenciamento Ambiental, Projetos e Comercialização de Crédito de Carbono e Plano de Negócios para Financiamentos Internacionais. É sócia-membro do Instituto Histórico Geográfico de Santa Catarina e possui diversas publicações, científicas e internacionais, em Gestão Territorial, Geotecnologias aplicada ao Licenciamento Ambiental e Economia de Baixo Carbono.

 

 

Leia também: O Mercado de Carbono no Mundo

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Green Bonds – Economia de Baixo Carbono

Green Bonds

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COMO EMITIR TÍTULOS VERDES – EMISSÃO DE GREEN BONDS NO BRASIL
ECONOMIA DE BAIXO CARBONO – EMISSÃO DE TÍTULOS VERDES NO BRASIL

Gisele Victor Batista

Segundo publicação de FEBRABAN, os Títulos Verdes, ou Green Bonds para o mercado internacional são Títulos de Renda Fixa utilizados para captar recursos. O principal objetivo dos Green Bonds é implantar ou refinanciar projetos ou ativos que tenham atributos positivos do ponto de vista ambiental ou climático, no contexto da economia de baixo carbono.

Os projetos ou ativos enquadráveis para emissão dos Green Bonds podem ser novos ou existentes e são denominados Projetos Verdes ou Projetos Sustentáveis. Os Títulos Verdes/Green Bonds caracterizam-se, também, por financiarem projetos ou ativos de longo prazo, tornando-se uma alternativa importante para estimular e viabilizar iniciativas e tecnologias.

A emissão Títulos Verdes/Green Bonds deve obedecer aos princípios de Green Bonds Principles: Identificação dos critérios de elegibilidade dos projetos financiados, Seleção dos projetos, Gestão dos recursos e Monitoramento e reporte.
Os procedimentos para emissão dos Green Bonds deve obedecer às seguintes etapas:

Sem título

Figura 1 – Etapas de Emissão de Green Bonds no Brasil

São projetos elegíeis para emissão de Green Bons no Brasil:

  • Energia Renovável;
  • Eficiência Energética (equipamentos e produtos);
  • Prevenção e Controle da Poluição;
  • Gestão Sustentável dos Recursos Naturais;
  • Conservação da Biodiversidade;
  • Transporte Limpo;
  • Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos;
  • Adaptação às Mudanças Climáticas;
  • Produtos, Tecnologias de Produção e Processos Eco Eficientes.

De acordo com a Climate Bonds Initiative, em 2016 foram emitidos US$ 81 bilhões em projetos financiados por Green Bonds. Em 2017, a previsão é que sejam emitidos cerca de US$ 150 bilhões no mundo, com emissão de Títulos Verdes.

O Brasil possui uma grande potencial para geração e projetos verdes, os quais podem ser financiados através dos Green Bonds. A emissão de Green Bonds no Brasil, já conta com, pelo menos cinco empresas que optaram por esta forma de financiamento, o que pode gerar, em 2017, cerca de R$ 16 bilhões em Projetos Verdes decorrentes dos Green Bonds no Brasil.

 

 

Green Bonds Emissão de Títulos para Projetos Verdes e Sustentáveis

BNDES conclui captação de US$ 1 bi em ‘green bonds’ no mercado externo

Artigo: Green Bonds: mercado do futuro

Os Títulos serão listados na Bolsa Vede de Luxemburgo – maior bolsa verde do mundo

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China se tornará o maior mercado de Créditos de carbono do mundo.

China se tornará o maior mercado de Créditos de carbono do mundo.

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A China, o maior poluidor do planeta está lançando o plano mais ambicioso do mundo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

A partir do setor de energia baseado no carvão, um projeto de mercado nacional de carbono irá abranger progressivamente outras indústrias de consumo intensivo de energia, como metais e produtos químicos.

A China pode se tornar a principal plataforma mundial de comercialização de créditos de emissão de carbono do planeta.

A cada ano, a gigante China consome mais carvão que todos os demais países reunidos. Além da dependência do carvão, os combustíveis fosseis são necessários para calefação e a produção de energia elétrica.

Entretanto, de maior poluidor ambiental do mundo, a China quer liderar os investimentos em energia limpa.

O novo e ambicioso projeto, fará com que as empresas poluentes paguem pela emissão dos gases de efeito estufa lançados no ar, a China (maior poluidor do mundo),  está se preparando para quebrar o recorde do maior mercado de carbono já lançado.

“Embora seja esperado que envolva cerca de 1.700 empresas no setor de energia (em oposição às oito indústrias incluídas no plano original), o mecanismo tão aguardado irá anular o esquema de cap-and-trade da UE, cobrindo 3,3 bilhões de toneladas métricas de emissões”.

O comércio de emissões não se destina a ser um sistema punitivo: as empresas que emitem menos de seu subsídio anual podem vender seus créditos de carbono no mercado e obter lucro, o que proporciona um incentivo para limpar sua cadeia de produção.

 

 

Leia também: Projetos de carbono – Como fazer projetos de crédito de carbono e contribuir para Economia de Baixo Carbono – Gisele Victor Batista

 

Confira aqui: O Mercado de Carbono no Mundo

  • Comercializamos créditos de carbono, entre em contato por:sequestrarcarbono@gmail.com

 

Confira aqui – Green Bonds – Títulos Verdes – Emissão de Títulos para Projetos Verdes Sustentáveis

Compensação de Reserva Legal

Compensação de Reserva Legal

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Compensação de Reserva Legal – CRL é um dispositivo, previsto no inciso III e parágrafos 5° a 7° do art. 66 do Código Florestal (Lei Federal n° 12.651/2012), por meio do qual as Unidades de Conservação de domínio público com pendência de regularização fundiária podem receber, em doação, imóveis privados localizados em seu interior para fins de Compensação de Reserva Legal de imóveis fora da UC desde que sejam localizados no mesmo bioma. Nesse intuito o ICMBio, após análise técnica, emite certidão de habilitação do imóvel para este fim assegurando aos interessados a legitimidade da transação do imóvel.

No ato da emissão da certidão, o proprietário interessado na venda do imóvel assina autorização de divulgação, com base no disposto no artigo 31 da Lei de Acesso à Informação (Lei Federal n° 12.527/2011).

Fonte : http://www.icmbio.gov.br/portal/compensacaodereservalegal

Maiores detalhes para transação do imóvel entre em contato: sequestrarcarbono@gmail.com

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Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é uma autarquia, isto é, um órgão da Administração Pública com o poder de auto-administração, nos limites estabelecidos em lei que a cria. O ICMBio foi criado pela Lei 11.516, de 28 de agosto de 2007, sendo vinculado ao Ministério do Meio Ambiente como parte do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama).

Agora é oficial: recessão pôs Brasil no rumo de cumprir o Acordo de Paris

Agora é oficial: recessão pôs Brasil no rumo de cumprir o Acordo de Paris

Megaestudo sobre opções de redução de emissões concluído em 2016 é finalmente publicado e mostra que atingir o compromisso nacional em 2025 custará menos de US$ 2 bilhões
A então presidente Dilma Rousseff durante lançamento da INDC do Brasil: nem precisa dobrar a meta (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

A então presidente Dilma Rousseff durante lançamento da INDC do Brasil: nem precisa dobrar a meta (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
DO OC – A gestão da ex-presidente Dilma Rousseff na área ambiental não deixa saudades em ninguém, mas uma coisa ninguém pode tirar dela: o Brasil deve cumprir sua NDC, a meta de redução de gases-estufa que assumiu no Acordo de Paris, quase sem botar a mão no bolso. Tudo isso graças à recessão produzida no governo da petista, que derrubou as emissões nacionais juntamente com o PIB.O maior estudo já feito sobre como cortar carbono no país acaba de ser publicado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) e pela ONU Meio Ambiente. Concluído em 2016 e jamais lançado como uma publicação, ele explora centenas de tecnologias que poderiam ser adotadas pelo país para reduzir emissões em todos os setores da economia. Alguns de seus resultados principais já haviam sido apresentados na COP22, em Marrakesh, e reportados pelo OC.O relatório mostra que a meta brasileira de reduzir 37% das emissões em 2025 em relação a 2005, limitando-as a 1,3 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2e), poderá ser cumprida com investimentos adicionais de US$ 1,7 bilhão (R$ 5,4 bilhões).

Para quem gosta de comparações, esse valor equivale a nove vezes o que uma única empresa, a JBS, pagou de propina a políticos apenas em 2014 (ou uma JBS por ano desde a adoção da NDC). Ou a 18 vezes o que Pedro Barusco roubou sozinho da Petrobras (dois Baruscos por ano). Ou a um terço do que o Brasil dará de subsídios à indústria do petróleo apenas em 2018 pela MP do Trilhão, convertida em lei no fim de 2017.

Segundo os autores do estudo, a meta poderá ser cumprida com medidas simples e em sua maioria de custo zero nos setores de energia (como redução de queima de combustível, repotenciação de hidrelétricas e aumento de eficiência em algumas atividades industriais) e uso da terra (expansão de florestas plantadas).

O cálculo considera que o governo manterá todas as políticas e os programas já adotados hoje, como a fiscalização do desmatamento na Amazônia, o cumprimento do Código Florestal e a expansão da agricultura de baixa emissão de carbono. Os investimentos calculados são dinheiro novo para ações novas.

Mesmo assim, os resultados mostram o impacto brutal da recessão sobre as emissões projetadas do Brasil na próxima década. Piadas à parte, o efeito climático pode até ser positivo, mas o motivo é o pior possível, já que o Brasil ficou mais pobre.

Quando o projeto, chamado Opções de Mitigação, foi iniciado, em 2014, ele se baseou em um crescimento médio de PIB projetado de 3,2% entre 2016 e 2020 e 3,3% até 2025. A equipe do economista Eduardo Haddad, da USP, que fez as projeções, precisou voltar duas vezes à prancheta e refazer as contas. A projeção publicada no relatório, divulgado na última quarta-feira (24) pelo MCTIC, é de 0,6% ao ano até 2020 e 2,3% até 2025.

“A diferença entre o cenário tendencial de emissões e a meta do Brasil é pequena por causa da crise”, disse Raoni Rajão, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais que coordenou o estudo no setor de uso da terra e florestas.

As emissões tendenciais consideradas pelo estudo são as “líquidas”, ou seja, tudo o que o país emite menos uma quantidade determinada de CO2 que é absorvida por florestas em áreas protegidas e que o governo considera, para fins contábeis, como “remoções antrópicas” de carbono. Isso torna o dado reportado pelo governo menor do que a emissão “bruta”, que o Observatório do Clima prefere reportar no seu sistema de estimativas de emissões, o SEEG. Pelo SEEG, as emissões brutas em 2016 foram de 2,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente; as líquidas, de 1,7 bilhão.

Para a meta indicativa do Brasil, de 43% de redução até 2030, os custos sobem bastante, porque a economia deverá voltar a crescer. O estudo projeta um custo de US$ 11,1 bilhões em valor presente, cujos componentes mais caros são a redução do desmatamento, a mudança no modal de transporte do carro de passeio para ônibus e metrô e a substituição de termelétricas a carvão por biomassa.

Esse custo, afirmam os autores do trabalho, poderia ser facilmente pago se o país adotasse um preço de US$ 10 por tonelada de carbono emitida. Essa precificação do carbono poderia até mesmo estimular o crescimento do PIB, caso a receita decorrente da taxa fosse usada para estimular novas indústrias e mitigar a má distribuição de renda.

 

PROJETOS DE CARBONO – COMO FAZER PROJETOS DE CRÉDITO DE CARBONO E CONTRIBUIR PARA ECONOMIA DE BAIXO CARBONO