O Aquecimento Global e a Agricultura de Baixa Emissão de Carbono

uniao meio ambiente

O Aquecimento Global e a Agricultura de Baixa Emissão de Carbono

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO

Fonte: http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Desenvolvimento_Sustentavel/Abc/8.pdf

O Aquecimento Global e a
Agricultura de Baixa Emissão
de Carbono
Brasília – DF
2012
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

APRESENTAÇÃO
É com satisfação que elaboramos esta cartilha O Aquecimento Global e a Agricultura
de Baixa Emissão de Carbono, assunto que tanto vem despertando a
atenção do público em virtude dos novos cenários social, político e legal relacionados
às questões ambientais.

Esta publicação é resultado de uma parceria entre o Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) e a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha
(FEBRAPDP), formalizada por meio de um protocolo de intenções assinado
durante o primeiro Seminário Nacional de Sensibilização do Plano ABC
(Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), ocorrido em Brasília (DF), em
setembro de 2010.

O objetivo principal desta cartilha é apresentar, em linguagem acessível,
alguns conceitos sobre efeito estufa, aquecimento global, mudança do
clima e importância do carbono na agropecuária. Para tanto, foram reunidos
autores experientes e referências bibliográficas relevantes acerca
desse tema.
Além disso, objetiva-se apresentar ações governamentais e políticas públicas,
como o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças
Climáticas visando à Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de
Carbono na Agricultura, que estão sendo desenvolvidas para mitigação de
emissões e remoções de carbono atmosférico em solo e biomassa, por meio
de sistemas sustentáveis de produção. A cartilha também traz informações
a respeito das formas de incremento da eficiência dos processos produtivos
na agropecuária.

JORGE ALBERTO PORTANOVA MENDES RIBEIRO FILHO

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

Esplanada dos Ministérios – Edifício Sede
CEP: 70.043-900 Brasília-DF
Tel.: (61) 3218-2969

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

Parque Estação Biológica (PqEB) – Avenida W5 Norte (Final)
CEP: 70.770-901 Brasília-DF
Tel.: (61) 3448-4368 Fax: (61) 3448-4882

Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP)

Rua Sete de Setembro, 800 – 2º andar, Conjunto 201, Centro
CEP: 84010-350 Ponta Grossa-PR
Tel/fax: (42) 3223-9107

Apoio Editorial: Karla Duarte Virgílio e Assunta Helena Sicoli

Edição e Artes Gráficas: Mapa

Todos os direitos reservados.

A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte,
constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Cordeiro, Luiz Adriano Maia; Assad, Eduardo Delgado; Franchini, Júlio Cezar; Sá, João
Carlos de Moraes; Landers, John Nicholas; Amado, Telmo Jorge Carneiro; Rodrigues,
Renato de Aragão Ribeiro; Roloff, Glaucio; Bley Júnior, Cícero; Almeida, Herlon Goelzer;
Mozzer, Gustavo Barbosa; Balbino, Luiz Carlos; Galerani, Paulo Roberto; Evangelista,
Balbino Antônio; Pellegrino, Giampaolo Queiroz; Mendes, Thiago de Araújo; Amaral,
Denise Deckers; Ramos, Elvison; Mello, Ivo; Ralisch, Ricardo.

O Aquecimento Global e a Agricultura de Baixa Emissão de Carbono. Brasília:
MAPA / EMBRAPA / FEBRAPDP, 2011.

75p.

1. Aquecimento Global. 2. Mudança do Clima. 3. Agricultura de Baixa Emissão de Carbono.
NOTA: Os artigos apresentados nesta edição são de inteira responsabilidade dos respectivos
autores. As informações e opiniões, bem como a menção de quaisquer equipamentos,
produtos ou técnicas, não implicam sua recomendação.
PRESIDENTA DA REPÚBLICA

Dilma Vana Rousseff

MINISTRO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO (MAPA)

Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho

SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO E COOPERATIVISMO (SDC)

Erikson Camargo Chandoha

CHEFE DA ASSESSORIA DE GESTÃO ESTRATÉGICA (AGE)

Derli Dossa

DIRETOR-PRESIDENTE DA EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA
(EMBRAPA)

Pedro Antônio Arraes Pereira

PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE PLANTIO DIRETO NA PALHA (FEBRAPDP)

Herbert Arnold Bartz

AUTORES:
Luiz Adriano Maia Cordeiro
Pesquisador, D.S., Embrapa Sede, Brasília (DF)

Eduardo Delgado Assad

Pesquisador, Ph.D., Embrapa Informática Agropecuária, Campinas (SP); Secretário de
Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Ministério do Meio Ambiente (MMA),
Brasília (DF)

Julio Cezar Franchini

Pesquisador, D.S., Embrapa Soja, Londrina (PR)

João Carlos de Moraes Sá

Professor, Ph.D., Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná

John Nicholas Landers

O.B.E., B.Sc. Agric., M.Sc., APDC, Brasília (DF)

Telmo Jorge Carneiro Amado

Professor, Ph.D., Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul

Renato de Aragão Ribeiro Rodrigues

Pesquisador, D.S., Embrapa Agrossilvipastoril, Sinop (MT)
Gláucio Roloff

Professor, Ph.D., Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do
Iguaçu (PR)

Cícero Bley Júnior

Engo-Agro, Esp., Itaipu Binacional, Foz do Iguaçu (PR)

Herlon Goelzer Almeida

Engo-Agro, Itaipu Binacional, Foz do Iguaçu (PR)

Gustavo Barbosa Mozzer

Pesquisador, M.Sc., Embrapa Sede, Brasília (DF)

Luiz Carlos Balbino

Chefe-Adjunto, Ph.D., Embrapa Cerrados, Planaltina (DF)

Paulo Roberto Galerani

Pesquisador, Ph.D., Embrapa Cerrados, Brasília (DF)

Balbino Antônio Evangelista

Analista, D.S., Embrapa Cerrados, Planaltina (DF)

Giampaolo Queiroz Pellegrino

Pesquisador, D.S., Embrapa Informática Agropecuária, Campinas (SP)

Thiago de Araújo Mendes

Doutorando em Desenvolvimento Sustentável, Centro de Desenvolvimento Sustentável
da Universidade de Brasília (CDS/UnB), Distrito Federal; Professor do Instituto de Educação
Continuada da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (IEC-PUC Minas);
Pós-graduação em Gestão de Projetos Ambientais, Belo Horizonte (MG)

Denise Deckers do Amaral

Economista, Esp., Mapa, Brasília (DF)

Elvison Ramos

Engo-Agro, Esp., Mapa, Brasília (DF)

Ivo Mello

Engo-Agro, FEBRAPDP, Alegrete (RS)

Ricardo Ralisch

Professor, D.S., UEL/FEBRAPDP, Londrina (PR)

SUMÁRIO SUMÁRIO

O que é o efeito estufa? ………………………………………………………………….9
O que significa aquecimento global e mudança do clima?……………………. 11
Quais as consequências do aquecimento global e da mudança do clima sobre

a agricultura e a pecuária? ……………………………………….. 15

Quais as características do elemento carbono na natureza? ……………….. 18
Como é o ciclo das diferentes formas do carbono na natureza? ……………. 19
Como é a formação do carbono do solo? ………………………………………… 20
Como é o carbono da biomassa?…………………………………………………….25
Como é o carbono da atmosfera?……………………………………………………26
Como ocorrem as emissões de GEE provocadas pelos setores
das atividades econômicas no Brasil? ……………………………………………… 27
Como ocorrem as emissões de GEE provocadas pelo
setor agropecuário? …………………………………………………………………… 30
Como ocorrem as remoções de CO2 pela agropecuária? ……………………… 32
Existem ações governamentais para mitigação de emissões
de GEE e para remoções de carbono? ……………………………………………… 41

O que significa pagamento por serviços ambientais?………………………… 46
O que são Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e Mercado
de Reduções de Emissões de GEE ou Mercado de Carbono?…………………. 47

Como o agricultor e o pecuarista podem usufruir desses mecanismos? … 50
Como o agricultor e o pecuarista podem se tornar geradores

das energias que empregam em suas produções e ao mesmo tempo
colaborar na mitigação da emissão de GEE? …………………………………….. 51
O que o agricultor e o pecuarista podem fazer em relação ao

problema do aquecimento global? …………………………………………………. 53
Glossário de palavras, símbolos e siglas……………………………………………55
Bibliografia consultada e recomendada …………………………………………. 69
Anexo 1 …………………………………………………………………………………….. 75

O que é o efeito estufa?
O fenômeno conhecido como “efeito estufa”
ocorre quando a radiação solar, que chega
ao Planeta Terra na forma de ondas curtas,
passa pela atmosfera, aquece a superfície
terrestre, refletindo de volta para
a atmosfera parte dessa radiação na
forma de calor, em comprimentos de
onda na região do infravermelho.
No momento em que esse efeito ocorre,

o calor é bloqueado por alguns constituintes
químicos gasosos da atmosfera e,
dessa forma, intensifica a sua retenção nas
camadas mais baixas da atmosfera. Esse fenômeno
natural é importante para a manutenção da
temperatura, considerada dentro dos limites aceitáveis
à vida no Planeta Terra (Figura 1).
Aumentos recentes nas concentrações de gases-
traço com capacidade de retenção de calor – também
chamados de Gases de Efeito Estufa (GEE) – na atmosfera têm causado impacto no balanço de radiação solar do Planeta, tendendo ao aquecimento da superfície da Terra.

Os principais GEE contemplados pelo Protocolo de Quioto são:

dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), clorofluorcarbonos
(CFCs), hidrofluorcarbonos (HFCs), perfluorcarbonos (PFCs) e hexafluoreto
de enxofre (SF6).

Atividades humanas, intensificadas a partir da Revolução
Industrial (final dos anos 1700 e início dos
anos 1800) e que se prolongam até a atualidade,
geram inúmeras fontes de emissão
de GEE decorrentes, como: queima de

combustíveis fósseis, desmatamento,
drenagem de pântanos, fertilizações
nitrogenadas ineficientes, queimadas,
preparo intensivo do solo etc.

Com a intensificação dessas atividades
e, consequentemente, com o incremento
das emissões dos GEE na atmosfera
(principalmente o CO2), detectou-se
aumento do aprisionamento de calor
no Planeta Terra durante um longo período
de tempo.

Aumento de temperatura (Grau Celsius)
e da concentração de CO2 na atmosfera
(ppm) ao longo dos anos no
Planeta Terra
Fonte: NASA/GISS; NOAA/ESRL

O que significa aquecimento global
e mudança do clima?
O termo “aquecimento global” significa que todo o Planeta Terra está se
aquecendo, ou seja, a sua temperatura atmosférica média de superfície está
se elevando ao longo dos anos como consequência do aumento do efeito estufa,
resultante do incremento na concentração atmosférica de alguns GEE,
em especial o CO2, o CH4 e o N2O.

Entretanto, existem diferenças entre esses gases no que diz respeito à sua
capacidade de reter calor. Por exemplo, o padrão GWP1 (Sigla em inglês que significa Global Warming Potential ou, em português, Potencial de Aquecimento Global para um período de 100 anos (GWP-100 ou GWP-100 anos) adotado pelo IPCC2 (Sigla em inglês que significa Intergovernmental Panel on Climate Change ou, em português, Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) indica que o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O) são 21 e 310 vezes mais potentes, respectivamente, em reter radiação solar do que o CO2 para umperíodo de 100 anos.

No Brasil, devido à maior acurácia científica na representação do potencial
de aumento de temperatura de cada gás de efeito estufa, existe a preferência

pelo uso de outra métrica para medir os efeitos dos GEE, que é o GTP,3 o qual

detém importante diferença com o padrão GWP (ver Anexo 1).

O CO2 é o mais importante GEE com emissões intensificadas por atividades
humanas. A concentração atmosférica global desse gás aumentou de um
valor pré-industrial (por volta do ano de 1750) de cerca de 280 ppm4 para 394
ppm em 2010. A concentração atmosférica de CO2 em 2005 ultrapassa em
muito a faixa natural ao longo dos últimos 650 mil anos (entre 180 ppm a
300 ppm), como determinado a partir de núcleos de gelo.

As concentrações anuais de CO2 tiveram uma taxa de crescimento maior
(média entre os anos 1995-2010 = 1,94 ppm por ano) durante os últimos anos
do que a que tem sido verificada desde o início das contínuas medições atmosféricas
(média entre os anos 1960-2005 = 1,46 ppm por ano).5

Além dos aspectos citados, outros podem contribuir para o efeito estufa
e para o aquecimento global: a atividade solar cíclica, que gera períodos

3 Sigla em inglês que significa Global Temperature Potential ou, em português, Potencial de
Temperatura Global para um período de 100 anos (GTP-100 ou GTP-100 anos).

4 ppm = partes por milhão.
5 Os dados apresentados possuem como referência as medições realizadas no Observatório
de Mauna Loa (Havaí, EUA). A margem de erro nas medidas e nos cálculos da elevação
média anual é de 0,11 ppm/ano. Ressalta-se que a taxa de crescimento anual medida em
Mauna Loa não é a mesma da taxa de crescimento global, apresentando uma pequena diferença.
O desvio-padrão das diferenças encontradas em Mauna Loa em relação à medição
global é menor que 0,26 ppm/ano. Para mais detalhes, recomenda-se a leitura dos estudos
do Dr. Pieter Tans, da NOAA/ESRL (www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/), e do Dr. Ralph
Keeling, da Scripps Institution of Oceanography (scrippsco2.ucsd.edu/).
de aquecimento, os quais parecem ser acompanhados de maior concentração
de CO2, por causa da decomposição mais rápida e mais intensa de
materiais orgânicos; a redução das áreas verdes cobertas por vegetação
permanente; o aumento das superfícies irradiantes e produtoras de calor
em excesso; e a redução de água residente, iniciando processos de aridização
e de desertificação.

Nos últimos séculos, a temperatura média da superfície da Terra já aumentou
cerca de 0,8ºC, e a projeção é de uma elevação entre 1,4ºC a 5,8ºC
nos próximos 100 anos, conforme o Quarto Relatório de Avaliação do IPCC,
em 2007.

Importante destacar que esse incremento da temperatura não é espacialmente
distribuído na Terra, sendo algumas regiões mais afetadas que outras
pelo fenômeno.

O clima na Terra é regulado pelo fluxo constante de energia solar que atravessa
a atmosfera na forma de luz visível. Dessa forma, os eventos climáticos
são dependentes da temperatura da atmosfera. A principal consequência do
efeito estufa e do aquecimento global é o aumento da velocidade das reações
na atmosfera devido à maior disponibilidade de energia, resultando em
aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos. Com isso,
existe a possibilidade de modificação nos padrões do clima, ou seja, a ocorrência
de uma mudança do clima.

Para o IPCC, mudança do clima refere-se a qualquer alteração climática ao
longo do tempo, quer devido à variabilidade natural, quer como resultado
da atividade humana. Porém, para a Convenção-Quadro das Nações Unidas
sobre Mudança do Clima (UNFCCC),6 esse termo refere-se a uma mudança
atribuída direta ou indiretamente à atividade humana, que altera a composição
da atmosfera global.

Nas últimas décadas, tem-se verificado a ocorrência das maiores temperaturas
históricas em várias regiões do mundo, bem como de eventos climáticos
extremos (secas prolongadas e chuvas intensas, incidência de furacões,
tornados, ciclones etc.) e derretimento das calotas polares.

De todas as atividades econômicas, a agricultura é, naturalmente, a mais
dependente do clima e, consequentemente, a mais sensível à sua mudança.

Além da possibilidade de serem afetadas negativamente, a agricultura e a
pecuária são atividades que geram emissões de GEE para a atmosfera, principalmente
daqueles compostos de carbono (CO2 e CH4)7 e de nitrogênio (N2O).
Portanto, podem contribuir para o efeito estufa e para o aquecimento global
ao mesmo tempo em que podem sofrer consequências desses fenômenos.

6 UNFCC – Sigla em inglês que significa United Nations Framework Convention on Climate Change.
7 Apesar de a ocorrência de emissões de CO2 por atividades agropecuárias ser comprovada
cientificamente, o Inventário de Emissões Antrópicas e de Remoções por Sumidouros de GEE, segundo
as diretrizes atuais da UNFCCC, não contabiliza o CO2 como emissão do setor da agricultura,
mas somente o CH4 e o N2O, pois essas, quando não identificadas, são atribuídas a
outros escopos setoriais, como mudança do uso da terra ou energia, por exemplo.
Quais as consequências do
aquecimento global e da mudança do
clima sobre a agricultura e a pecuária?
Quais as consequências do
aquecimento global e da mudança do
clima sobre a agricultura e a pecuária?
Naturalmente, a agricultura e a pecuária são dependentes das condições climáticas,
uma vez que são atividades desenvolvidas em ambientes naturais transformados
para produção (agroecossistemas), nos quais existe cultivo de plantas
em solo com exposição direta a elementos meteorológicos (luz, temperatura,
umidade, precipitação, ventos, gases atmosféricos e pressão atmosférica).

Portanto, a ocorrência da mudança do clima pode afetar a produção agropecuária
e trazer consequências negativas e imprevisíveis para esse setor, pelos
seguintes motivos:

1.
Aumento na concentração de CO2 – elevação na atividade fotossintética
e no seu efeito sobre o crescimento de plantas, mas
nem sempre com aumento de produtividade (desbalanço na relação
fonte-dreno); e maior consumo de água.
2.
Aumento da temperatura do ar e do solo – incremento na produtividade
de plantas de metabolismo C4,8 a depender das relações
8 Plantas fotossinteticamente mais eficientes na utilização de luz e CO2 para produção de
açúcares em condições com alta luminosidade e temperatura, como algumas espécies
de gramíneas tropicais (milho, sorgo, cana-de-açúcar, braquiárias etc.).
hídricas concomitantes (ou seja, maior consumo de água); aumento
da evapotranspiração (esvaziando o reservatório solo); redução
do ciclo biológico de culturas (acelerando a senescência, ou seja,
a morte das plantas); aumento das taxas respiratórias pela elevação
da temperatura noturna e do gasto energético, ocasionando
a redução da produtividade; e mudança da dinâmica de pragas e
doenças pela alteração do ciclo biológico desses organismos (podem
aumentar a severidade daqueles já existentes ou transformar
organismos inofensivos em novas pragas ou doenças).

3.
Aumento de secas e chuvas torrenciais (extremos pluviométricos)
– atrasos no plantio e na perda de calendários agrícolas
pelas secas prolongadas; falhas na germinação/emergência e no
estabelecimento de lavouras pela falta de chuvas; déficits hídricos
nas fases vegetativas e reprodutivas com comprometimentos
da produtividade vegetal; chuvas mais intensas, mais frequentes
e/ou erosivas e maior ocorrência de erosão; encharcamento
excessivo do solo com diminuição da absorção de nutrientes e
com baixo crescimento radicular; alteração das propriedades químicas,
físicas e biológicas dos solos de forma a torná-los menos
produtivos; aumento da infestação de plantas daninhas; e chuvas
excessivas na colheita, com perdas econômicas.
Como consequência geral, a mudança do clima poderá ser tão intensa nas
próximas décadas a ponto de mudar a geografia da produção agrícola no
Brasil e no mundo. Assim, municípios que hoje são grandes produtores
poderiam não ser mais em 2020 ou 2050, por exemplo. Também existem
previsões de que impactos negativos serão maiores nas regiões tropicais e
subtropicais do que nas regiões temperadas.

Estudo recente9 mostra que o aumento de temperatura pode provocar, no
Brasil, de modo geral, uma diminuição de regiões aptas para o cultivo dos
grãos. Com exceção da cana-de-açúcar e da mandioca, todas as culturas
sofreriam queda na área de baixo risco e, por consequência, no valor da
produção, podendo gerar perdas nas safras de grãos de R$ 7,4 bilhões já
em 2020 – número que pode subir para R$ 14 bilhões em 2070.

Portanto, pode-se afirmar que existe uma sensível ligação entre as condições
climáticas e a viabilidade da produção agropecuária, e dessas com as
concentrações atmosféricas de GEE, e que o equilíbrio entre esses fatores é
influenciado pela dinâmica de compostos de carbono na natureza.

9 ASSAD, E. D. et al. Aquecimento global e a nova geografia da produção agrícola no
Brasil. Brasília: Embaixada Britânica; Campinas: Embrapa/Unicamp, 2008. 84 p.
Quais as características do elemento
carbono na natureza?
Quais as características do elemento
carbono na natureza?
O carbono (do latim carbo = carvão) é um elemento químico de símbolo “C”,
que tem como principal característica a capacidade de assumir diferentes
formas na natureza (carvão, diamante, petróleo, monóxido de carbono, dióxido
de carbono, açúcares ou carboidratos etc.).

O carbono forma parte de todos os seres vivos, e constitui o elemento básico
da Química Orgânica, sendo conhecidos cerca de 10 milhões de compostos.

Alguns GEE também são compostos de carbono (por exemplo, CO2 e CH4)
e, nessas formas gasosas, o elemento tem gerado grandes preocupações
pela sua relação direta com o efeito estufa, o aquecimento global e a mudança
do clima.
Como é o ciclo das diferentes formas
do carbono na natureza?
Como é o ciclo das diferentes formas
do carbono na natureza?
Em função das diferentes formas encontradas
na natureza, o estoque total de carbono na
atmosfera (principalmente nas formas de
CO2 e CH4) e na superfície terrestre (nas
formas biótica e abiótica) depende de
um delicado equilíbrio entre processos
de imobilização (redução/fotossíntese)
e mineralização (oxidação/decomposição),
ou seja, do Ciclo do Carbono
(Figura 3).
Uma vez alterado, esse ciclo, assim
como o Ciclo do Nitrogênio, pode ter seu
equilíbrio modificado e possibilitar o predomínio
de algumas das formas de carbono, em
detrimento de outras. Tal fato pode, por exemplo,
ser observado com os carbonos do solo, da biomassa
e da atmosfera.

Figura 3
Ciclo do Carbono

Como é a formação do carbono
do solo?
Como é a formação do carbono
do solo?
O Carbono Orgânico Total (COT) é o principal constituinte do solo, correspondendo
a, aproximadamente, 58% da Matéria Orgânica do Solo (MOS), que,
por sua vez, resulta do processamento e da decomposição parcial dos resíduos
vegetais ou dos materiais orgânicos (biomassa) existentes no ambiente.

No entanto, a MOS possui também compartimentos mais lábeis,10 como o
carbono da biomassa e o carbono ativo (MOS transitória), que ciclam o carbono
mais rapidamente no ecossistema e são importantes fontes de energia
para biomassa do solo e de nutrientes para as plantas. Essas frações mais lábeis
influenciam a qualidade do solo e são influenciadas, ao longo do tempo,
pelas práticas de manejo do solo e das culturas (Figuras 4 e 5).

10 Um componente se diz lábil quando é pouco estável, disponível, transitório.

Figura 4
Representação esquemática do
processo de organização do solo,
destacando os principais subprocessos
de energia e matéria
Fonte: Roscoe et al. (2006)
Figura 5
Formação do carbono do solo
e de seus compartimentos
Fonte: João Carlos de
Moraes Sá
Figura 4
Representação esquemática do
processo de organização do solo,
destacando os principais subprocessos
de energia e matéria
Fonte: Roscoe et al. (2006)
Figura 5
Formação do carbono do solo
e de seus compartimentos
Fonte: João Carlos de
Moraes Sá

Dessa forma, o húmus (carbono humificado) é constituído por compostos
orgânicos (polímeros) com propriedades de natureza coloidal11 capazes de
agregar partículas minerais, proporcionar ao solo condições favoráveis de
porosidade e friabilidade, bem como aumentar a capacidade de retenção de
água e a Capacidade de Troca de Cátions (CTC) do solo. Assim, considera-se
que o húmus funciona como um “condicionador do solo”.

As substâncias húmicas, representadas pelos ácidos húmicos e fúlvicos e
pela humina, têm em média 58% de carbono e, por isso, utiliza-se o fator de
1,724 para converter a porcentagem de carbono expressa nos laudos da análise
do solo em porcentagem de MOS, conforme a fórmula a seguir:

COT% x 1,724 = % MOS

Os sistemas de produção agropecuária baseados nos princípios da Agricultura
Conservacionista12 proporcionam gradual aumento dos teores de COT
e MOS. A biomassa aportada é mantida na superfície do solo, em limitado
contato com este e reduzido fracionamento por implementos agrícolas,
proporcionando uma decomposição mais lenta e gradual em relação ao
manejo por meio do qual os resíduos são incorporados ao solo (Figura 6).

11 Partículas ou sistemas nos quais um ou mais componentes apresentam pelo menos uma
de suas dimensões dentro do intervalo de 1nm a 1µm. Os coloides têm, em geral, características
específicas, como possuir massa e relação área/volume de partícula elevadas, manifestar
efeitos de adsorção e dupla camada elétrica etc.

12 Agricultura Conservacionista, como definido pela FAO (http://www.fao.org/ag/ca/, em
13/02/2011), é aquela atingida pela aplicação de três princípios básicos: menor perturbação
possível do solo, cobertura permanente do solo e rotação de culturas. Isso deve resultar em
uma agricultura sustentável e lucrativa, melhorando, assim, o modo de vida dos agricultores.
Isso favorece a retenção de COT e a conseguinte redução ou restrição do seu
rápido retorno (por oxidação biológica) para a atmosfera durante do Ciclo
do Carbono.

Figura 6
Resíduos vegetais
(palhada) em decomposição
sobre a superfície
do solo e início da
formação da MOS
Foto: João Carlos de
Moraes Sá
Ao contrário da Agricultura Conservacionista, os métodos de preparo convencional
do solo, envolvendo as operações de revolvimento por meio da
aração e/ou gradagem, promovem a incorporação dos resíduos vegetais e a
exposição do solo às intempéries.

Consequentemente, ocorrem a erosão e a degradação, acompanhadas
do rompimento dos agregados e do aumento da porosidade do solo, com
maior entrada de O2 no sistema, levando a MOS à exposição aos microrganismos
e às mudanças nos regimes de umidade e temperatura do solo,
provocando incremento da oxidação do COT. O resultado final do processo
desencadeará maior fluxo de CO2 para a atmosfera, com elevadas perdas
de carbono.
24
Ministério da Agricultura, Pecuária e AbastecimentoResumo das funções benéficas do carbono e da matéria orgânica do solo
• Atuam como agentes cimentantes de partículas primárias e de agregados,
melhorando a estrutura do solo e a porosidade.
• Estabilizam agregados do solo.
• Aumentam a CTC.
• Aumentam a atividade biológica.
• Proporcionam/possibilitam maior drenagem e armazenamento de água.
• Reciclam e fornecem nutrientes às plantas, como nitrogênio, fósforo, enxofre.
• Evitam a fixação e aumentam a disponibilização de fósforo.
• Diminuem a toxicidade de alumínio.
• Degradam defensivos agrícolas no solo.
• Aumentam a retenção do carbono no solo (COT) e diminuem as emissões de CO2.
Ministério da Agricultura, Pecuária e AbastecimentoResumo das funções benéficas do carbono e da matéria orgânica do solo
• Atuam como agentes cimentantes de partículas primárias e de agregados,
melhorando a estrutura do solo e a porosidade.
• Estabilizam agregados do solo.
• Aumentam a CTC.
• Aumentam a atividade biológica.
• Proporcionam/possibilitam maior drenagem e armazenamento de água.
• Reciclam e fornecem nutrientes às plantas, como nitrogênio, fósforo, enxofre.
• Evitam a fixação e aumentam a disponibilização de fósforo.
• Diminuem a toxicidade de alumínio.
• Degradam defensivos agrícolas no solo.
• Aumentam a retenção do carbono no solo (COT) e diminuem as emissões de CO2.

Como é o carbono da biomassa? Como é o carbono da biomassa?
Depois da água (H2O), o carbono é o elemento que entra em maior quantidade
na constituição dos organismos vivos. Ele é o componente fundamental
das moléculas orgânicas. Os teores de carbono total da biomassa variam de
40% a 55% com base na sua matéria seca.

O carbono na forma gasosa da atmosfera (CO2) é transformado em carbono
da biomassa por meio da fotossíntese, processo de usar a energia dos raios
solares para sintetizar compostos de carbono na planta. Dentro das plantas,
esse elemento participa da constituição de diversos compostos orgânicos,
como açúcares, aminoácidos, proteínas, gorduras, ácidos orgânicos, celulose,
hemicelulose, lignina etc.
Como é o carbono da atmosfera? Como é o carbono da atmosfera?
A atmosfera é uma camada que recobre o Planeta Terra, composta por vários
gases, sendo os principais o nitrogênio (78%) e o oxigênio (21%). Os demais
constituem cerca de 1% e existem em concentração menor, como CO2, argônio,
hidrogênio, neônio, hélio, N2O, ozônio (O3), entre outros gases-traço.

Como explicado anteriormente, alguns desses gases atmosféricos têm carbono
em sua composição, principalmente o gás carbônico (CO2) e o metano
(CH4), com, respectivamente, 0,039% (393,69 ppm)13 e 0,00014% (1,4 ppm)
da composição atmosférica. Essa composição está sendo alterada por meio
de emissões de GEE oriundas de atividades econômicas.

13 Disponível em: .
Como ocorrem as emissões de
GEE provocadas pelos setores das
atividades econômicas no Brasil?
Como ocorrem as emissões de
GEE provocadas pelos setores das
atividades econômicas no Brasil?
Historicamente, os países desenvolvidos têm contribuído significativamente
para o aumento de temperatura média da superfície do Planeta em função
da grande quantidade de emissões de GEE, principalmente aqueles que
contêm carbono queimado na forma de carvão mineral, petróleo e outras
fontes abióticas de combustíveis fósseis.

No caso específico do Brasil, as contribuições mais importantes para a emissão
de GEE são aquelas provenientes do uso da terra, das mudanças do uso
da terra e das florestas, representando 68,1% das emissões de GEE (em mil toneladas
de CO2 equivalente), convertidas por meio da métrica GTP, em 2005.
Por sua vez, a agricultura brasileira representou somente 10,2% das emissões
no mesmo período (Tabela 1).
28
Ministério da Agricultura, Pecuária e AbastecimentoTabela 1 – Emissões antrópicas de GEE (em mil toneladas de CO2 equivalente)
convertidas por meio das métricas GWP e GTP, em 2005 e por setor
Setor
GWP GTP
Emissões
em 2005
Participação
(%) em 2005
Emissões
em 2005
Participação
(%) em 2005
Energia 328.808 15,0 319.667 17,0
Processos industriais 77.939 3,6 74.854 4,0
Mudança de uso da
terra e florestas 1.329.053 60,6 1.279.501 68,1
Agricultura 415.754 18,9 192.411 10,2
Tratamento de resíduos 41.048 1,9 12.596 0,7
Total 2.192.602 100 1.879.029 100,0
Fonte: MCT (2010).
Em 2005, as emissões brasileiras líquidas somente de CO2 foram estimadas
em 1,638 bilhão de toneladas, destacando-se o setor de mudança do uso da
terra e das florestas, com 79% das emissões, seguido pelo setor de energia,
com 20% de participação no total de emissões.
Nesse mesmo ano, as emissões líquidas de CH4 foram estimadas em 18,1
milhões de toneladas, sendo que os setores de mudança de uso da terra e
das florestas e agropecuário foram responsáveis por 70% das emissões totais,
seguidos pelas emissões do setor energético, com 17%, e do setor de
tratamento de resíduos, com 10%. Os dois subsetores mais importantes da
agropecuária foram o da fermentação entérica da pecuária, com 63%, e o da
conversão de florestas para outros usos no bioma Amazônia, com 12%.
Ministério da Agricultura, Pecuária e AbastecimentoTabela 1 – Emissões antrópicas de GEE (em mil toneladas de CO2 equivalente)
convertidas por meio das métricas GWP e GTP, em 2005 e por setor
Setor
GWP GTP
Emissões
em 2005
Participação
(%) em 2005
Emissões
em 2005
Participação
(%) em 2005
Energia 328.808 15,0 319.667 17,0
Processos industriais 77.939 3,6 74.854 4,0
Mudança de uso da
terra e florestas 1.329.053 60,6 1.279.501 68,1
Agricultura 415.754 18,9 192.411 10,2
Tratamento de resíduos 41.048 1,9 12.596 0,7
Total 2.192.602 100 1.879.029 100,0
Fonte: MCT (2010).
Em 2005, as emissões brasileiras líquidas somente de CO2 foram estimadas
em 1,638 bilhão de toneladas, destacando-se o setor de mudança do uso da
terra e das florestas, com 79% das emissões, seguido pelo setor de energia,
com 20% de participação no total de emissões.
Nesse mesmo ano, as emissões líquidas de CH4 foram estimadas em 18,1
milhões de toneladas, sendo que os setores de mudança de uso da terra e
das florestas e agropecuário foram responsáveis por 70% das emissões totais,
seguidos pelas emissões do setor energético, com 17%, e do setor de
tratamento de resíduos, com 10%. Os dois subsetores mais importantes da
agropecuária foram o da fermentação entérica da pecuária, com 63%, e o da
conversão de florestas para outros usos no bioma Amazônia, com 12%.

As emissões líquidas de N2O foram estimadas em 546 mil toneladas, basicamente
por causa do setor agropecuário, responsável por 87% das emissões
totais. Dentro desse setor, as emissões provenientes de solos agrícolas participaram
com 96%, incluindo, entre outras, as emissões de dejetos de animais
em pastagem, que, sozinhas, representam 46% do setor.
Como ocorrem as emissões de GEE
provocadas pelo setor agropecuário?
Como ocorrem as emissões de GEE
provocadas pelo setor agropecuário?
As atividades agropecuárias geram emissões diretas e indiretas de GEE por
diversos processos, como: fermentação entérica nos herbívoros ruminantes
(CH4), produção de dejetos de animais (CH4 e N2O), preparo convencional
do solo (CO2), cultivo de arroz inundado (CH4), queima de resíduos agrícolas
(CO2, CH4, N2O, entre outros), emissão de N2O em solos pelo uso de fertilizantes
nitrogenados, queima pelo consumo de combustíveis fósseis (CO2)
na produção e no transporte de produtos agrícolas e utilização de insumos
que, para sua produção, demandam elevado consumo de energia na sua industrialização
(fertilizantes, herbicidas, fungicidas).

A título de exemplo mais detalhado, pode-se considerar o preparo convencional
do solo, que por si só promove emissão de CO2 quando as perdas por
oxidação são maiores do que as adições de carbono na forma de resíduos
vegetais (palhada). Esse processo ocorre com a ruptura dos agregados que
expõe a MOS – mistura de material orgânico fresco com o solo – facilitando a
decomposição e, finalmente, o aumento na atividade microbiana, resultando
em maior taxa de decomposição de carbono (Figura 7).
Figura 7
Esquema de ruptura do agregado e
perda de carbono pelo preparo do solo
Fonte: Sá et al. (2008)
(Foto sobre preparo do solo – cedida por Dirceu Gassen)
Obs.: a) macroagregado protegendo a MOS;
b) preparo do solo;
c) rompimento do agregado e exposição dos tipos de
MOS ao ataque dos microrganismos do solo;
d) solo disperso e suscetível à erosão
e à compactação.
Figura 7
Esquema de ruptura do agregado e
perda de carbono pelo preparo do solo
Fonte: Sá et al. (2008)
(Foto sobre preparo do solo – cedida por Dirceu Gassen)
Obs.: a) macroagregado protegendo a MOS;
b) preparo do solo;
c) rompimento do agregado e exposição dos tipos de
MOS ao ataque dos microrganismos do solo;
d) solo disperso e suscetível à erosão
e à compactação.

Como ocorrem as remoções de CO2
pela agropecuária?
Como ocorrem as remoções de CO2
pela agropecuária?
Estratégias relevantes para redução da emissão dos GEE consistem em redução
da queima de combustíveis fósseis (petróleo, gasolina, diesel, carvão
mineral), minimização de desmatamento e queimadas, manejo adequado
do solo e maximização das remoções de CO2, popularmente chamadas de
“sequestro de carbono”.

Nesse último processo, o CO2 da atmosfera é capturado pelas plantas verdes
(Figura 8) e transformado em compostos orgânicos por meio da fotossíntese,
que é a reação entre o CO2 e a água (H2O), produzindo carboidratos (açúcares)
e oxigênio (gás que retorna à atmosfera).
Figura 8
Desenho
esquemático
do Processo
Fotossintético
Figura 8
Desenho
esquemático
do Processo
Fotossintético
A fotossíntese é uma reação bioquímica complexa, que se dá exclusivamente
em presença da luz solar e é confinada aos cloroplastos, conforme demonstrado
resumidamente na equação a seguir.

6 CO2 + 6 H2O . C6H12O6 + 6 O2
Luz Solar
Portanto, de maneira sintética, observa-se que moléculas de um gás atmosférico
que contém carbono (CO2) reagem com a água, em partes das plantas
verdes (folhas, caule etc.) e em presença de luz, e se transformam em um
composto orgânico em estado sólido com carbono em sua composição (carboidratos
ou açúcares), liberando o gás oxigênio para a atmosfera.
Gás carbônico (C) + água açúcar (C) + oxigênio Gás carbônico (C) + água açúcar (C) + oxigênio
Após esse processo de remoção do carbono da atmosfera e incorporação pelas
plantas verdes, o elemento passa a desempenhar inúmeras funções na
formação da biomassa e no metabolismo vegetal, sendo o componente de
diversos compostos orgânicos.

Com a morte das plantas, tem-se a formação dos resíduos vegetais (serrapilheira
em áreas de floresta ou palhada de culturas após a colheita), que, com

o passar do tempo, sofrem um processo de fragmentação por macrorganismos
e, posteriormente, a decomposição por microrganismos do solo. Dessa
forma, se o material não for protegido da ação biológica dos organismos do
solo, ou se essa ação não for lenta, a maior parte dele retornará em pouco
tempo para a atmosfera na forma de CO2.
A manutenção dos resíduos na superfície diminui seu contato com o solo,
reduzindo a taxa de decomposição. Além disso, a ausência de revolvimento
por implementos agrícolas, associada ao aumento da atividade biológica,
promove a formação de estruturas denominadas agregados. Os resíduos
vegetais recém-adicionados ao solo são incorporados no interior dos
agregados, onde são protegidos da ação decompositora dos organismos
do solo. O resultado final é o aumento da quantidade de compostos orgânicos
preservados da ação biológica e o aumento da quantidade de COT e
MOS formados.

O acúmulo de MOS no Sistema Plantio Direto (SPD) e, consequentemente,

o seu potencial para a remoção de CO2 no Brasil, por exemplo, já foi com

provado por vários autores nas diferentes ecorregiões. Esse processo de
fixação de carbono no solo na forma de matéria orgânica humificada (estável)
durante um período longo de tempo é conhecido popularmente como
sequestro de carbono.

Dessa forma, os solos manejados sob SPD sem preparo e com adição de palhada
passam da condição de fonte de CO2 rumo à atmosfera para a condição
de dreno ou assimilação de CO2 para o solo (Figuras 9 e 10).

Figura 9
Sistema Plantio
Direto (SPD) de
milho em palhada
de aveia-preta
Foto: Luiz Adriano
Maia Cordeiro
Outro efeito de redução das emissões de GEE no SPD está relacionado à diminuição
das operações mecanizadas. Estimativas indicam redução de 40
litros de óleo diesel por hectare por ano com a eliminação de uma aração e
duas gradagens.
Porém, para que as taxas de sequestro de CO2 sejam elevadas, faz-se necessário
associar o SPD com rotação de culturas e culturas de cobertura. A utilização
de leguminosas é importante para melhorar o balanço de nitrogênio
no agroecossistema e incrementar o sequestro de CO2 no solo, pois as dinâmicas
do carbono e do nitrogênio estão intimamente associadas. Portanto,
incrementar a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) por meio do uso de leguminosas
é uma importante estratégia de manejo.

A adoção do SPD, com a produção adequada de resíduos
vegetais sobre a superfície do solo, além de
armazenar carbono – melhorando a infiltração
de água das chuvas e a permeabilidade
do solo, sua capacidade de armazenar
água disponível (essencial para explorar

o potencial de produção dos cultivos) –,
reflete radiação solar de ondas curtas
(evita que gerem calor porque a palha-
da, com sua coloração mais clara, possui
refletividade maior, albedo maior).
Também estabiliza a temperatura do
solo, evitando picos de calor que podem
reduzir a eficiência das raízes em absorver
água e nutrientes, e reduz as perdas
de água do solo por evaporação e transpiração,
o que resulta, por exemplo, em
menor necessidade de irrigação, com
economia de 30% a 50% na necessidade
de água e de energia.
Figura 10
Desenho esquemático do processo
de armazenamento de carbono oriundo
da palhada na superfície no macroagregado,
tornando o solo um dreno
do CO2 atmosférico
Fonte: Sá et al. (2008)

Os sistemas mais complexos, como a Integração Lavoura-Pecuária (ILP)
ou a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), por conterem o componente
forrageiro e florestal, têm potencial de contribuir na reten
ção de carbono em solo e biomassa, bem como na redução de
emissões de GEE.

Adicionalmente, em sistemas ILPF, parte do CO2 removido poderá
auxiliar na redução de emissões em outros setores além
da agricultura se a madeira obtida for utilizada para
a produção de móveis ou para a geração de energia.
A produção de energia a partir de árvores
plantadas pode substituir o uso de combustíveis
fósseis. Essa substituição de uma
fonte não renovável de energia (petróleo)
por uma fonte renovável (carvão vegetal)
pode ser contabilizada como redução de
emissão de GEE.

De forma similar e com maior capacidade,
enquadram-se os plantios comerciais de florestas,
em especial eucalipto e pinus, entre outras
espécies adaptadas à silvicultura. Esses sistemas
já estão associados a metodologias do Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto e atividades
de projetos nessa área já estão em execução no Brasil.

Figura 11
Sistema Silvipastoril, uma
modalidade de ILPF
Foto: Embrapa.

38
Ministério da Agricultura, Pecuária e AbastecimentoExemplos de Tecnologias e Sistemas Sustentáveis de Produção Agropecuária
Sistema Plantio Direto (SPD): também chamado de plantio direto ou plantio direto na
palha. É um sistema de produção baseado na manutenção dos resíduos vegetais (palhada)
sobre a superfície do solo, na eliminação das operações de preparo do solo e na adoção da
rotação de culturas. Promove aumento dos teores de carbono e matéria orgânica do solo
(pela decomposição e manutenção da palhada sobre o solo sem incorporá-la); melhora as
propriedades químicas, físicas e biológicas do solo; promove economia de tempo e combustível;
e pode aumentar a produtividade das culturas.
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): é uma estratégia de produção sustentável,
que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma
área em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado, buscando efeitos sinérgicos
entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental,
a valorização do homem e a viabilidade econômica. Pode ser adotada em diferentes
formatos: Integração Lavoura-Pecuária (Agropastoril); Integração Lavoura-Pecuária-
Floresta (Agrossilvipastoril); Integração Pecuária-Floresta (Silvipastoril) ou Integração
Lavoura-Floresta (Silviagrícola). Promove verticalização produtiva, incremento de
renda por hectare e aumento do estoque de carbono no solo e na biomassa.
Recuperação de Pastagens Degradadas: sistema que promove a recuperação da capacidade
produtiva das pastagens degradadas com o incremento na produção da biomassa
vegetal das espécies forrageiras (por meio da calagem e adubação) e seu manejo
racional. Existem diferentes técnicas de recuperação direta ou indireta de pastagens.
Reduz a necessidade de expansão de áreas de pastagens sobre florestas e aumenta o
carbono em solo e biomassa, pois promove maior acúmulo das forrageiras e seu uso
adequado (Figura 12).
Fixação Biológica de Nitrogênio: uso de microrganismos que possuem uma enzima
denominada nitrogenase e que são capazes de transformar o nitrogênio atmosférico
(N2) em NH3, forma nitrogenada prontamente assimilável pelas plantas e outros organismos.
Dessa forma, reduz o uso de fertilizantes nitrogenados de origem fóssil na agricultura,
minimiza e até mesmo neutraliza os impactos ambientais associados ao uso
intensivo dos fertilizantes nitrogenados, pois reduz a emissão de N2O.
Florestas Plantadas: a produção de florestas plantadas com fins econômicos, principalmente
com espécies como eucalipto e pinus, nas propriedades rurais, possui quatro
objetivos básicos: implementar uma fonte de renda de longo prazo para a família do
produtor; aumentar a oferta de madeira para fins industriais (celulose e papel, móveis e
painéis de madeira), energéticos (carvão vegetal e lenha), construção civil e outros usos;
reduzir a pressão sobre as matas nativas; capturar CO2 da atmosfera, reduzindo os efeitos
do aquecimento global.
Ministério da Agricultura, Pecuária e AbastecimentoExemplos de Tecnologias e Sistemas Sustentáveis de Produção Agropecuária
Sistema Plantio Direto (SPD): também chamado de plantio direto ou plantio direto na
palha. É um sistema de produção baseado na manutenção dos resíduos vegetais (palhada)
sobre a superfície do solo, na eliminação das operações de preparo do solo e na adoção da
rotação de culturas. Promove aumento dos teores de carbono e matéria orgânica do solo
(pela decomposição e manutenção da palhada sobre o solo sem incorporá-la); melhora as
propriedades químicas, físicas e biológicas do solo; promove economia de tempo e combustível;
e pode aumentar a produtividade das culturas.
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): é uma estratégia de produção sustentável,
que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma
área em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado, buscando efeitos sinérgicos
entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental,
a valorização do homem e a viabilidade econômica. Pode ser adotada em diferentes
formatos: Integração Lavoura-Pecuária (Agropastoril); Integração Lavoura-Pecuária-
Floresta (Agrossilvipastoril); Integração Pecuária-Floresta (Silvipastoril) ou Integração
Lavoura-Floresta (Silviagrícola). Promove verticalização produtiva, incremento de
renda por hectare e aumento do estoque de carbono no solo e na biomassa.
Recuperação de Pastagens Degradadas: sistema que promove a recuperação da capacidade
produtiva das pastagens degradadas com o incremento na produção da biomassa
vegetal das espécies forrageiras (por meio da calagem e adubação) e seu manejo
racional. Existem diferentes técnicas de recuperação direta ou indireta de pastagens.
Reduz a necessidade de expansão de áreas de pastagens sobre florestas e aumenta o
carbono em solo e biomassa, pois promove maior acúmulo das forrageiras e seu uso
adequado (Figura 12).
Fixação Biológica de Nitrogênio: uso de microrganismos que possuem uma enzima
denominada nitrogenase e que são capazes de transformar o nitrogênio atmosférico
(N2) em NH3, forma nitrogenada prontamente assimilável pelas plantas e outros organismos.
Dessa forma, reduz o uso de fertilizantes nitrogenados de origem fóssil na agricultura,
minimiza e até mesmo neutraliza os impactos ambientais associados ao uso
intensivo dos fertilizantes nitrogenados, pois reduz a emissão de N2O.
Florestas Plantadas: a produção de florestas plantadas com fins econômicos, principalmente
com espécies como eucalipto e pinus, nas propriedades rurais, possui quatro
objetivos básicos: implementar uma fonte de renda de longo prazo para a família do
produtor; aumentar a oferta de madeira para fins industriais (celulose e papel, móveis e
painéis de madeira), energéticos (carvão vegetal e lenha), construção civil e outros usos;
reduzir a pressão sobre as matas nativas; capturar CO2 da atmosfera, reduzindo os efeitos
do aquecimento global.

Tratamento de Dejetos Animais: o tratamento adequado de efluentes e dejetos animais
contribui para a redução da emissão de metano (CH4 ), que representa o equacionamento
de um problema ambiental, além de possibilitar aumento na renda dos agricultores,
seja pelo composto orgânico gerado, seja pela geração de energia. Os processos de biodigestão
e compostagem, já conhecidos, proporcionam a redução de custos de produção,
por evitar o consumo de energia e insumos químicos, e diminuir os riscos para o meio
ambiente, bem como reduzir a emissão de GEE. O biogás gerado em tratamentos sanitários
anaeróbicos – biodigestores – de dejetos animais e outros resíduos orgânicos agropecuários
tem características combustíveis que favorecem sua aplicação para geração de
energia elétrica, térmica e automotiva. Além de estabelecer a eficiência energética das
atividades que dele se utilizam, confere possibilidades de substituir, ainda que parcialmente,
os combustíveis fósseis e as madeiras utilizadas nas operações agropecuárias,
estabelecendo novas rendas para o setor.

Figura 12
Pastagens Recuperadas,
à esquerda, promovendo
influxo líquido de carbono
(ganho de carbono) no
sistema solo-planta em
contraste com pastagens
degradadas, à direita, que
promovem o efluxo líquido
(perda de carbono)
Foto: Embrapa.
Resumidamente, pode-se registrar a existência de alguns processos e práticas
agrícolas que afetam o balanço do carbono global, como: mudança do
uso da terra, desmatamento, queima da biomassa, erosão do solo, superpastejo,
degradação de pastagens, mecanização do solo (aração, gradagem
etc.), depleção da fertilidade do solo, tratamento de dejetos e resíduos orgânicos,
entre outros.
Em contraste, existem várias práticas agrícolas que recompõem o reservatório
de COT e MOS e restauram a capacidade dos solos como sumidouros
de carbono, sendo, portanto, tecnologias mitigadoras de emissões desse
elemento químico: SPD, Sistemas de ILPF, reflorestamento, práticas conservacionistas,
uso de inoculantes para FBN, recuperação de pastagens degradadas,
manejo racional de pastagens, plantio de culturas perenes, uso
adequado de fertilizantes químicos e adubos orgânicos, adoção de Sistemas
Agroflorestais (SAFs), tratamento sanitário de dejetos e resíduos orgânicos,
com aproveitamento energético do biogás, entre outras.

Existem ações governamentais para
mitigação de emissões de GEE e para
remoções de carbono?
Existem ações governamentais para
mitigação de emissões de GEE e para
remoções de carbono?
Sim, existem. A realização do evento conhecido como “Rio 92”, ou seja, a Conferência
das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, sediada
no Brasil, teve como um de seus resultados a criação da Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Assim, o tema mudança
global do clima vem sendo uma parte vital da agenda nacional.

Ao mesmo tempo, o país utilizou os recursos naturais, tão abundantes em
seu vasto território, na exploração e no desenvolvimento de energias renováveis,
que possibilitam o reconhecimento de que sua economia é pouco intensiva
em emissão de carbono.

A Convenção possui como objetivo final alcançar a estabilização das concentrações
de GEE na atmosfera em um nível que impeça interferência antrópica
perigosa no sistema climático. Esse nível deverá ser alcançado em prazo
suficiente para que os ecossistemas se adaptem naturalmente à mudança
do clima, assegurando que a produção de alimentos não seja ameaçada, e
que o desenvolvimento econômico prossiga de maneira sustentável.

Dentre outros princípios da Convenção, destaca-se o das responsabilidades
comuns, porém diferenciadas, referido no artigo 3º, parágrafo 1º, que dispõe
que as Partes (ou seja, os países que ratificaram a Convenção)
devem proteger o sistema climático em benefício
das gerações presentes e futuras da humanidade
com base na equidade e em conformidade com
suas responsabilidades comuns, mas diferenciadas,
e respectivas capacidades. Em decorrência,
as Partes do Anexo I da Convenção (que é composto
por países desenvolvidos) devem tomar a
iniciativa no combate à mudança do clima e a
seus efeitos.

Portanto, como o problema da mudança do clima é reconhecido pela
maior parte dos países (a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre
Mudança do Clima é o acordo da ONU com maior número de participantes,
194 países), e o Brasil vem desempenhando papel de liderança nas
negociações internacionais e nas pesquisas sobre mudança do clima, é
preciso ampliar cada vez mais o conhecimento em todas as áreas relacionadas
ao tema.

Após a 15ª Conferência das Partes (COP-15), realizada no ano de 2009, em
Copenhague, Dinamarca, com o intuito de informar as Partes da Convenção,

o Governo brasileiro indicou um compromisso nacional voluntário (mais conhecido
como Nama), com potencial de redução das emissões de GEE entre
36,1% e 38,9% em relação às emissões brasileiras projetadas até 2020.
Para tanto, o Governo está implantando diferentes ações, como a redução do
desmatamento da Amazônia e do Cerrado, a ampliação da eficiência energética
e a adoção, em larga escala, de práticas sustentáveis na agricultura.
43
O Aquecimento Global e a Agricultura de Baixa Emissão de CarbonoNo caso específico da agricultura, os compromissos se referem à expansão
da adoção ou do uso de tecnologias para mitigar emissões de GEE e, em contrapartida,
promover a retenção ou remoção de CO2 na biomassa e no solo.
A esse conjunto de tecnologias denominou-se “Agricultura de Baixa Emissão
de Carbono” (Tabela 2).
Tabela 2 – Processo tecnológico e compromisso nacional relativo à mitigação
de emissões de GEE pela Agropecuária
Processo Tecnológico Compromisso
(aumento de área/uso)
Recuperação de Pastagens Degradadas1 15,0 milhões ha
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta2 4,0 milhões ha
Sistema Plantio Direto 8,0 milhões ha
Fixação Biológica de Nitrogênio 5,5 milhões ha
Florestas Plantadas3 3,0 milhões ha
Tratamento de Dejetos Animais 4,4 milhões m3
Notas: 1 Por meio do manejo adequado, calagem e adubação.
2 Incluindo Sistemas Agroflorestais (SAFs).
3 Não está computado o compromisso brasileiro relativo ao setor da siderurgia; e não foi contabilizado o
potencial de mitigação de emissão de GEE.
Esses compromissos foram ratificados no artigo 12 da Lei no 12.187, de 29 de
dezembro de 2009, que institui a Política Nacional sobre Mudanças do Clima
(PNMC). Consta nessa legislação que o Poder Executivo estabelecerá planos
setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas, visando à
consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono em vários setores
da economia, como a agricultura.
Em 9 de dezembro de 2010, foi publicado o Decreto no 7.390, que regulamenta
os artigos 6o, 11 e 12 da Lei no 12.187. Para efeito dessa regulamentação,
O Aquecimento Global e a Agricultura de Baixa Emissão de CarbonoNo caso específico da agricultura, os compromissos se referem à expansão
da adoção ou do uso de tecnologias para mitigar emissões de GEE e, em contrapartida,
promover a retenção ou remoção de CO2 na biomassa e no solo.
A esse conjunto de tecnologias denominou-se “Agricultura de Baixa Emissão
de Carbono” (Tabela 2).
Tabela 2 – Processo tecnológico e compromisso nacional relativo à mitigação
de emissões de GEE pela Agropecuária
Processo Tecnológico Compromisso
(aumento de área/uso)
Recuperação de Pastagens Degradadas1 15,0 milhões ha
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta2 4,0 milhões ha
Sistema Plantio Direto 8,0 milhões ha
Fixação Biológica de Nitrogênio 5,5 milhões ha
Florestas Plantadas3 3,0 milhões ha
Tratamento de Dejetos Animais 4,4 milhões m3
Notas: 1 Por meio do manejo adequado, calagem e adubação.
2 Incluindo Sistemas Agroflorestais (SAFs).
3 Não está computado o compromisso brasileiro relativo ao setor da siderurgia; e não foi contabilizado o
potencial de mitigação de emissão de GEE.
Esses compromissos foram ratificados no artigo 12 da Lei no 12.187, de 29 de
dezembro de 2009, que institui a Política Nacional sobre Mudanças do Clima
(PNMC). Consta nessa legislação que o Poder Executivo estabelecerá planos
setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas, visando à
consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono em vários setores
da economia, como a agricultura.
Em 9 de dezembro de 2010, foi publicado o Decreto no 7.390, que regulamenta
os artigos 6o, 11 e 12 da Lei no 12.187. Para efeito dessa regulamentação,

no caso específico da agricultura, ficou estabelecida a constituição do Plano
Setorial para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono
na Agricultura, também denominado Plano ABC (Agricultura de Baixa
Emissão de Carbono).

O objetivo geral desse Plano é promover a mitigação da emissão de GEE na
agricultura, no âmbito da PNMC – melhorando a eficiência no uso de recursos
naturais e aumentando a resiliência de sistemas produtivos e de comunidades
rurais –, e possibilitar a adaptação do setor agropecuário à mudança
do clima.

Trata-se, portanto, de um conjunto de ações que promovem “baixa” emissão
de GEE pelo setor agropecuário, e não “nula” emissão, o que é impossível na
prática. Ou seja, o ABC também tem por objetivo garantir o aperfeiçoamento
contínuo e sustentado das práticas de manejo que reduzam a emissão
dos GEE e, adicionalmente, que aumentem a fixação atmosférica de CO2 na
vegetação e no solo dos setores da agricultura brasileira.

O ABC está estruturado em seis ações: 1) Recuperação de Pastagens Degradadas;
2) Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF); 3) Sistema Plantio
Direto (SPD); 4) Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN); 5) Florestas Plantadas;
e 6) Tratamento de Resíduos Animais.

Para cada iniciativa do Programa ABC, estão previstas diversas ações como:
divulgação; capacitação de técnicos e produtores; transferência de tecnologia;
pesquisa e desenvolvimento; regularização fundiária e ambiental; linhas
de crédito para fomento à produção sustentável; produção e distribuição de
mudas florestais; disponibilização de insumos para agricultores familiares;
contratação de assistência técnica; entre outras.

A coordenação da execução do Plano está a cargo dos ministérios da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Entre as ações já adotadas pelo Governo Federal, destaca-se a criação de
uma linha de crédito para financiar os agricultores que adotem sistemas
produtivos eficientes capazes de contribuir para a mitigação dos GEE. Essa
linha de crédito já disponibilizou R$ 3,15 bilhões no Plano Agrícola e Pecuário
2011/2012, com taxas de juros de 5,5% ao ano e prazo para pagamento
de até 15 anos.
O que significa pagamento por
serviços ambientais?
O que significa pagamento por
serviços ambientais?
É uma transação voluntária na qual um serviço ambiental bem definido, ou
um uso da terra que gere esse serviço, é remunerado de alguma forma por
um comprador, desde que assegurada a sua provisão por aquele que dispõe
desse serviço, no caso o produtor rural. São exemplos dessa prática a remoção
de CO2 ou a melhoria da qualidade da água por meio de um SPD de qualidade,
o que gera melhorias ambientais, com consequentes benefícios ao
conjunto da sociedade.

Na Organização Mundial do Comércio (OMC), o conceito de serviços ambientais
é delimitado no mandato negocial de Doha, sob a ótica das negociações
para a liberalização do comércio de bens e serviços ambientais. Tanto
na lista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE) quanto na lista do Acordo de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), serviços
ambientais são definidos pelo uso final, classificados em três atividades
principais: controle de poluição (atmosférica, hídrica, do solo e sonora);
gestão de recursos (destaque para sistemas de purificação e abastecimento
de água potável); e tecnologia e produtos limpos ou eficientes no uso de recursos
naturais.
O que são Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL) e
Mercado de Reduções de Emissões de
GEE ou Mercado de Carbono?
O que são Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL) e
Mercado de Reduções de Emissões de
GEE ou Mercado de Carbono?
O MDL é um mecanismo compensatório, no qual reduções de emissões nos países
em desenvolvimento resultam em autorização para mais emissões de combustíveis
fósseis nos países desenvolvidos. Para que o mecanismo seja neutro (o
MDL é um mecanismo de soma zero), a redução tem de ser real e mensurável no
país em desenvolvimento, o que é garantido pelo conceito de adicionalidade.14

Ou seja, as reduções de emissões nos países em desenvolvimento, incluindo o
Brasil, têm de ser adicionais às que ocorreriam na ausência do projeto. Assim,

o uso de álcool pela frota de automóveis brasileira não pode ser considerado
adicional, nem deve resultar em autorização de novas emissões de gases de
efeito estufa nos países desenvolvidos, pois estaria aumentando as emissões
em relação a um cenário tendencial e agravando o aquecimento global.15
14 Critério estabelecido pelo artigo 12 do Protocolo de Quioto, ao qual estão submetidos os
projetos desenvolvidos pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Sob esse critério, uma
atividade deve, comprovadamente, resultar na redução de emissões de Gases de Efeito Estufa
ou no aumento de remoções de CO2 de forma adicional ao que ocorreria na ausência de
uma atividade de projeto. O objetivo é avaliar se a atividade proporciona uma redução real,
mensurável e de longo prazo para a mitigação das mudanças climáticas.

15 José Domingos Gonzalez Miguez e Adriano Santhiago de Oliveira, intitulada “Visões Institucionais
e Políticas a Respeito da Mudança do Clima”.
As normas internacionais para o que é popularmente conhecido como “Mercado
de Carbono” constam no Protocolo de Quioto, no qual um dos mecanismos
de flexibilização é o MDL. O “crédito de carbono” do MDL é denominado Redução
Certificada de Emissão (RCE), ou em inglês, Certified Emission Reductions
(CER). Uma RCE corresponde a uma tonelada de CO2 equivalente.

O Brasil destaca-se no cenário internacional como um dos principais países
anfitriões para o desenvolvimento de projetos no âmbito do MDL. Além da
ideia de o MDL ter nascido da Proposta Brasileira de 1997, nas negociações internacionais
que antecederam a adoção do Protocolo de Quioto, o Brasil foi
um dos primeiros países a estabelecer localmente as bases necessárias para

o desenvolvimento de projetos no MDL, com a criação da sua Autoridade
Nacional Designada (AND), tendo sido ainda a primeira nação a formalizar a
inscrição de sua AND junto ao Conselho Executivo do MDL.
O trabalho desempenhado pelo Governo brasileiro no sentido de assegurar
um ambiente com regras claramente definidas para o desenvolvimento de
projetos do MDL refletiu-se no estímulo à resposta da sociedade civil. A primeira
metodologia aprovada no MDL, junto ao seu Conselho Executivo, é
brasileira (Aterros Sanitários – Salvador, Bahia); posteriormente, o primeiro
projeto efetivamente registrado também foi brasileiro (Projeto Nova Gerar –
Rio de Janeiro).

Atualmente, o MDL assume dimensões verdadeiramente globais, envolvendo
a participação de mais de 70 nações, com potencial de redução de emissões,
para o Primeiro Período de Obtenção de Créditos, de 8.659 milhões t
CO2eq e com a participação de mais de 7.742 projetos em alguma fase do ciclo
de projetos do MDL.
O Brasil possui predominância de atividades nos setores energético, com
52,3% dos projetos; suinocultura (15,4%); troca de combustíveis fósseis
(9,2%); e aterro sanitário (7,6%), dentre outros.

O país mantém-se como uma das nações líderes nesse processo, ocupando
o terceiro lugar em número de projetos (499), com potencial de redução
anual de emissão de gases de efeito estufa projetada para o primeiro período
de compromisso de 52.284.950 t CO2eq, o que representa 5% do total mundial,
atrás somente da China (51%) e da Índia (21%). O potencial de reduções
de emissões para o primeiro período de crédito dos projetos brasileiros é de

412.197.677 t CO2eq, o que corresponde a 5% do total mundial; nesse cenário,
o Brasil permanece em terceiro lugar, atrás da China (47%) e da Índia (25%).
Em países onde a matriz energética é muito dependente do consumo de combustíveis
fósseis, especialmente do carvão mineral, como é o caso da China e
da Índia, o potencial de redução de GEE em setores industriais e de energia, por
exemplo, é muito mais alto do que em países como o Brasil, que possui sua matriz
energética baseada em fontes renováveis. Mesmo assim, o Brasil tem obtido
êxito no desenvolvimento de projetos MDL em vários setores industriais.

Ao considerar o potencial de redução anual na ordem de 50 milhões de toneladas
de CO2eq e o potencial de redução de emissões para o primeiro período
de obtenção de créditos na ordem de 412 milhões de toneladas de CO2eq,
com um valor de US$ 15 por tonelada de CO2eq, o montante de recursos externos
a ingressar no país seria, respectivamente, de US$ 750 milhões e de
US$ 6,18 bilhões. Se as RCE (créditos de carbono) obtidas pelas atividades de
projetos de MDL fossem consideradas na pauta de exportações, em 2009,
estariam na 16ª colocação dessa pauta.
Como o agricultor e o pecuarista
podem usufruir desses mecanismos?
Como o agricultor e o pecuarista
podem usufruir desses mecanismos?
O agricultor e o pecuarista devem buscar assistência técnica pública ou privada,
ou consultores, para que obtenham suporte tecnológico e usufruam das ações
governamentais e dos mecanismos existentes em torno da mitigação das emissões
de dióxido de carbono e de outros GEE, bem como da adaptação à mudança
do clima e das alternativas de mercado focadas em questões ambientais.

A sustentabilidade somente poderá ser atingida em sua plenitude no momento
em que todos tenham consciência de seu papel envolvendo as questões
ambientais, de seus riscos e oportunidades.

A sociedade está sendo desafiada a romper com o modelo de produção agropecuária
pouco sustentável, de forma a atender ao aumento da demanda alimentar
ao mesmo tempo em que promove preservação e melhoria ambiental,
a fim de garantir as demandas das futuras gerações.

O Brasil conseguiu desenvolver diferentes tecnologias sustentáveis de produção
agropecuária para o ambiente tropical, e hoje é um exemplo para o mundo.
Assim, o agricultor e o pecuarista brasileiros já dispõem de alternativas tecnológicas
desenvolvidas para suas condições edafoclimáticas e socioeconômicas,
bem como de legislação e políticas públicas elaboradas para dar suporte ao
aumento da escala de adoção com vistas à mitigação da emissão de GEE.
Como o agricultor e o pecuarista podem se
tornar geradores das energias que empregam
em suas produções e ao mesmo tempo
colaborar na mitigação da emissão de GEE?
Como o agricultor e o pecuarista podem se
tornar geradores das energias que empregam
em suas produções e ao mesmo tempo
colaborar na mitigação da emissão de GEE?
Os agricultores e os pecuaristas são grandes consumidores de energias, tanto
elétrica quanto combustível. Essa prática só não é mais intensa porque,
devido aos altos custos, eles costumam limitar o uso das energias e, consequentemente,
o avanço tecnológico das suas atividades. São inúmeros
os exemplos da intensidade de uso das energias em uma propriedade rural,
incluindo a manutenção do conforto nas casas dos agricultores/pecuaristas
e de seus empregados.

Entre os vários exemplos de atividades agropecuárias nas quais a energia
elétrica é empregada, citam-se: irrigação; secagem e moagem de grãos;
conforto de animais confinados; iluminação para o manejo e operações
específicas como incubação de ovos etc. No caso da energia combustível,
têm-se ações periódicas para operações de plantio, manejo de solos e culturas
durante a safra; transporte e movimentação de produtos agrícolas após
colheitas; movimentação de animais entre os diferentes estágios da produção;
coleta diária de produtos (como leite, ovos etc.); distribuição diária de
rações; além da mobilidade pessoal dos trabalhadores e produtores rurais,
todas mantidas por combustíveis fósseis.

Enquanto isso, as fontes renováveis de energia, essenciais para a redução de
emissão de GEE, encontram no meio rural as melhores condições de aplica

ção e rendimento, tais como: espaços livres, exposição ao sol, proximidade
de recursos hídricos, ventos favoráveis e disponibilidade de áreas para reflorestamentos
energéticos.

O biogás é um exemplo de fonte energia absolutamente disponível, porque
resulta das próprias atividades produtivas – tratamento de dejetos animais
e produção de metano (CH4).

As características químicas do biogás o asseguram como fonte renovável
de energias térmica, elétrica e automotiva, que podem ser utilizadas para
substituir as geradas em fontes externas à propriedade. Assim, tem-se o uso
racional de um importante GEE (metano), mitigando as emissões desse gás.

Importante ressaltar que, para fazer uso das energias renováveis, os produtores
devem buscar assistência técnica pública ou privada, ou consultores.
O que o agricultor e o pecuarista
podem fazer em relação ao problema
do aquecimento global?
O que o agricultor e o pecuarista
podem fazer em relação ao problema
do aquecimento global?
O primeiro passo é se informar. Apesar de as emissões serem localizadas,

o fenômeno de aquecimento é global, ou seja, afeta todo o Planeta Terra.
Sendo assim, a sua interferência sobre o delicado sistema climático também
será de forma globalizada, o que significa dizer que esse problema deve ser
resolvido por toda a humanidade.
Tanto a agricultura quanto a pecuária são atividades de extrema sensibilidade
ao aumento de temperatura e às mudanças do clima. Ao mesmo tempo,
tais atividades podem contribuir para mitigar os efeitos desses sérios problemas
ambientais.

De forma objetiva, o que o setor agropecuário deve fazer é reduzir ao máximo
as emissões de GEE por produto agrícola produzido, e, em sentido contrário,
aumentar ao máximo as remoções de GEE em biomassa e solo. Isso contribui
para a redução do fenômeno do efeito estufa, proporciona a diminuição do
aquecimento global e, adicionalmente, aumenta a eficiência e resiliência dos
sistemas produtivos, promovendo, assim, a sustentabilidade agropecuária.

O que se deseja para o agricultor e para o pecuarista da região tropical é que
tenham acesso a tecnologias, produtos e serviços que proporcionem a adoção
e/ou expansão de áreas com sistemas sustentáveis de produção, garantindo
melhorias ambientais, aumento na produtividade e na qualidade do produto,
incremento na geração de renda, efetividade na conservação do solo e da
água para reduzir os futuros impactos dos efeitos adversos da mudança do
clima nas propriedades. Espera-se também que, no futuro, eles sejam reconhecidos
e remunerados por prestação de serviços ambientais.

Glossário de palavras, símbolos e siglas Glossário de palavras, símbolos e siglas

Agricultura Conservacionista – praticada em conformidade com
os preceitos da conservação do solo. Como definido pela FAO
(http://www.fao.org/ag/ca/, em 13/02/2011), é aquela atingida
pela aplicação equilibrada de três princípios básicos: menor perturbação
possível do solo, cobertura permanente do solo e rotação
de culturas. Isso deve resultar em uma agricultura sustentável
e lucrativa, melhorando, assim, o modo de vida dos agricultores.

Adaptação à mudança do clima – medidas tecnológicas preventivas
à mudança do clima, ou de preparação das comunidades
humanas e do meio natural para enfrentar os impactos dos
seus efeitos adversos; ou seja, pelo planejamento de medidas
emergenciais de reparação de danos, decorrentes da mudança do
clima e/ou de eventos climáticos extremos consumados; ações
visando ao aumento da resiliência dos sistemas produtivos e de
comunidades concomitantemente à redução de vulnerabilidades
frente aos impactos dos efeitos adversos da mudança climática.

Agregados do solo – modo como as partículas do solo (argila,
silte e areia) se arranjam no espaço, constituindo a estrutura
do solo; inclui o tamanho, a forma e o arranjamento dos agre

gados, formados quando partículas primárias se agrupam, em
unidades separáveis (macroagregados), gerando, assim, os espaços
porosos, cuja estabilidade é influenciada pela Matéria
Orgânica do Solo (MOS).


Atividade Microbiana – atividade de microrganismos do solo,
como a respiração, a fixação biológica do nitrogênio, a mineralização
de compostos orgânicos, a atividade enzimática e a produção
da biomassa microbiana do solo.

Atmosfera – camada gasosa que envolve o Planeta Terra, composta
de diferentes gases atraídos por gravidade.

ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono.

Biodigestão anaeróbica – digestão de resíduos orgânicos e
efluentes (dejetos animais líquidos) realizada por colônia mista
de microrganismos, em ambiente no qual haja ausência de oxigênio.
Resultam da biodigestão o biogás e o digestato com características
de biofertilizante.

Biodigestor – dispositivo para o tratamento sanitário de resíduos
orgânicos e de dejetos animais, construído segundo critérios
de engenharia que produzem a redução da carga orgânica dos
materiais a ele submetidos (em torno de 70%). Apesar disso, os
biodigestores não removem nutrientes dissolvidos como nitrogênio
(N) e fósforo (P).


Biogás – resultado da biodigestão anaeróbica, o biogás é composto
por gás metano (CH4), em torno de 60%; dióxido de carbono
(CO2), 39%; e gases-traço, 1%. O biogás tem poder calorífico em torno
de 4.000 e 5.000 kJ/m3 sendo o metano o componente que lhe
confere a combustibilidade. Uma vez filtrado o gás sulfídrico (H2S),
um dos gases-traço da composição, o biogás pode ser usado para
a geração de energias elétrica, térmica (secagem de grãos, lodos e
outros) e automotiva (em desenvolvimento). O metano possui um
potencial de aquecimento global (GWP) 21 vezes maior que o CO2.

Biomassa – material biológico fresco ou com vida, derivado de qualquer
ser vivo, como uma planta viva, uma árvore recém-cortada,
caule e folhas recém-colhidas, insetos ou microrganismos, dejetos
animais e outros resíduos orgânicos da agropecuária etc.

Biota do solo – conjunto de seres vivos do solo, o que inclui a flora,
a fauna, os fungos, as bactérias e outros grupos de organismos.

C – carbono; elemento químico.

°C – grau Celsius; medida de temperatura.

C2F6 – hexafluoretano; gás atmosférico.

CH4 – metano; gás atmosférico.

Clima – processos atmosféricos, climáticos e meteorológicos;
conjunto de informações sobre os fenômenos atmosféricos que
caracteriza uma região ou bioma.


Cloroplasto – organela presente nas células das plantas, que possui
a clorofila, um pigmento de cor verde; local na célula vegetal
onde se realiza a fotossíntese.

CO2 – dióxido de carbono ou gás carbônico; gás atmosférico.

CO2eq ou CO2 equivalente – medida utilizada para comparar as
emissões de vários GEE baseadas no GWP (ou PAG).

COP – Conference of the Parties; Conferência das Partes da Convenção-
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Combustível fóssil – combustível mineral; grupo de substâncias
formadas de compostos de carbono, usados para alimentar a
combustão, como o carvão mineral, o petróleo e seus derivados
(gasolina, diesel) e o gás natural; por serem produzidos a partir da
decomposição de matéria orgânica, em um longo processo que
leva milhares de anos, os combustíveis fósseis não são renováveis
ao longo da escala de tempo humana.

CQNUMC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima; sinônimo de UNFCCC.

CTC – Capacidade de Troca de Cátions; Capacidade de Troca
Catiônica; número total de cátions (elementos químicos iônicos
com carga positiva) trocáveis que um solo pode reter (a
quantidade de sua carga negativa); cátions adsorvidos nos
coloides do solo (argila e MOS); quanto maior a CTC do solo,

maior o número de cátions que esse solo pode reter; característica
físico-química fundamental ao manejo adequado da
fertilidade do solo; expressa em termos de centimol de carga
por dm3 (cmolc/dm3) ou milimol de carga por dm3 (mmolc/dm3)
e calculada pela soma Ca2+ + Mg2+ + K+ + H+ + Al3+.


Degradação do solo – perda da capacidade produtiva do solo.

Dejetos animais – materiais resultantes do sistema digestivo dos
animais, como fezes e urina, misturados com a água do manejo
e, às vezes, inadequadamente, com águas de chuvas e/ou perdas
hidráulicas, ou ainda infiltrações. Esses dejetos possuem alta carga
orgânica, medida pela Demanda Química de Oxigênio (DQO) e
pela Demanda Bioquímica ou Biológica de Oxigênio (DBO), e, para
se degradarem, produzem impactos de poluição hídrica, caso não
sejam tratados sanitariamente, pela supressão do Oxigênio (O) das
águas e pela fertilização dos ambientes aquáticos (eutrofização),
assim como pela poluição atmosférica (com a emissão de biogás),
em cuja composição encontra-se o metano, um dos principais GEE.

Dreno de CO2 – compartimento da natureza responsável por
absorver ou captar CO2 atmosférico.

Erosão do solo – perda física de solo originada pela ação das chuvas
(erosão hídrica) ou do vento (erosão eólica).

FBN – Fixação Biológica de Nitrogênio; processo biológico simbiótico
entre microrganismos e algumas espécies de plantas, no

qual ocorre transformação do nitrogênio atmosférico (N2) em
uma forma nitrogenada assimilável.


Fertilizante – produto sintético composto de elementos químicos
que visam suprir a nutrição mineral de plantas, sendo aplicados
na agricultura com o intuito de aumentar e melhorar a produção;
adubos.

Fertilizante nitrogenado – produto sintético que possui, em sua
composição, como nutriente principal o elemento nitrogênio (N)
em formato assimilável pelas plantas; adubo nitrogenado; produto
industrial derivado da amônia (NH3) em um processo que utiliza
fontes fósseis.

Fontes biogênicas – fontes de emissão de GEE de origem biológica.

Fonte de CO2 – compartimento da natureza responsável por emitir
ou liberar CO2 para a atmosfera.

Fontes de energia renovável – elementos naturais, com características
favoráveis para a geração de energias e com capacidade
de repor seus estoques continuamente, quando utilizados
(ex.: sol, vento, água). Relevante destacar que, por ser inerente
às atividades que o gera, o biogás é considerado uma fonte renovável
de energia.

Forma biótica – forma que detém vida; fenômeno biológico.

Forma abiótica – forma que não detém vida; fenômeno não biológico.


GEE – Gases de Efeito Estufa.

GTP – sigla em inglês que significa Global Temperature Potential,
ou em português Potencial de Temperatura Global; medida alternativa
ao GWP, que mede a variação da temperatura média da
superfície global em um determinado horizonte de tempo, ocasionada
pela emissão de uma massa de GEE em relação à emissão
de uma massa equivalente de CO2. O Brasil considera o GTP
mais apropriado do que GWP para indicar a importância relativa
dos diferentes gases de efeito estufa em termos de contribuição
para o aquecimento global. Além de comparar as emissões dos
GEE por meio de suas contribuições para a mudança da temperatura
média na superfície terrestre em um dado horizonte de
tempo futuro, o GTP reflete melhor a real contribuição dos diferentes
Gases de Efeito Estufa para a mudança do clima; o seu uso
propiciaria políticas de mitigação mais apropriadas.

GWP – sigla em inglês que significa Global Warming Potential, ou em
português Potencial de Aquecimento Global; medida que avalia
como determinada quantidade de GEE contribui para o aquecimento
global, para isso, compara o gás em questão com a mesma
quantidade de dióxido de carbono (cujo potencial é definido
como 1). O Governo brasileiro contesta a utilização do GWP para
comparação de GEE. A opção de agregar as emissões relatadas em
unidades de dióxido de carbono equivalente com o uso do GWP em
um horizonte de tempo de 100 anos não foi adotada pelo Brasil,
que relatou suas emissões apenas em unidades de massa de cada
gás de efeito estufa, conforme apresentado no seu Inventário Ini

cial. Na visão do Brasil, o GWP não representa de forma adequada
a contribuição relativa dos diferentes gases de efeito estufa à mudança
do clima. O uso do GWP enfatiza sobremaneira, e de modo
errôneo, a importância dos gases de efeito estufa com curtos períodos
de permanência na atmosfera, como o metano.


HFC – hidrofluorcarbono; gás atmosférico.

Húmus – matéria orgânica do solo humificada e estável; composto
que contém carbono do solo constituído, principalmente, por
ácidos orgânicos (ácidos fúlvicos, ácidos húmicos e humina).

ILP – Integração Lavoura-Pecuária; sistema de produção que integra
o componente agrícola e pecuário em rotação, consórcio
ou sucessão, na mesma área e em um mesmo ano agrícola, ou
por múltiplos anos.

ILPF – Integração Lavoura-Pecuária-Floresta; sistema de produção
que integra os componentes agrícola, pecuário e florestal em
rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área. O componente
“lavoura” restringe-se ou não à fase inicial de implantação do componente
florestal.

Imobilização – processo de transformação de um elemento mineral
em composto orgânico durante a decomposição da MOS
por microrganismos heterotróficos, em que parte dos compostos
simples e da energia liberada é utilizada para seu próprio metabolismo
e para sua reprodução, a qual provoca um aumento da

biomassa no solo, imobilizando parte dos nutrientes que estavam
contidos nos resíduos. Esse aumento da biomassa representa
imobilização temporária dos nutrientes que agora fazem parte
dos tecidos microbianos; redução.


Intemperismo – conjunto de fenômenos físicos, químicos e biológicos
que atuam ao longo do tempo geológico na degradação
e erosão das rochas, com consequente formação de solos e do
relevo terrestre.

IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change; Painel Intergovernamental
sobre Mudança do Clima; órgão da Organização
das Nações Unidas (ONU) estabelecido pelo Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA ou Unep) e pela
Organização Meteorológica Mundial (OMM ou WMO), sendo
composto por delegações científicas de governos para prover
avaliações regulares sobre a mudança do clima.

Lixiviação – lavagem ou perda vertical de elementos químicos
do solo pela água, desde as camadas superficiais até as camadas
mais profundas.

m3 – metro cúbico.

Macrorganismos do solo – componentes da fauna do solo
com tamanho do corpo >20 mm, podendo ser herbívoros ou
fitófagos (ácaros, crustáceos, colêmbolos, insetos, moluscos,
nematoides e protozoários), carnívoros ou zoófagos (ácaros,

aracnídeos, insetos e protozoários), coprófagos, necrófagos e
saprófagos (ácaros, anelídeos, insetos e protozoários).


Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Metabolismo vegetal – transformações que ocorrem no interior
dos organismos vegetais; conjunto de reações e transformações
das substâncias bioquímicas que ocorrem nas células vegetais
responsáveis pelos processos de síntese e degradação dos nutrientes,
crescimento e reprodução das células e formação de biomassa;
anabolismo e catabolismo.

Mg – megagrama ou 1.000.000 g ou 106 g; 1 Mg = 1 tonelada.

Microrganismos do solo – componentes da microbiologia do solo
com tamanho reduzido, como bactérias, protozoários e fungos.

Mineralização – retorno de elementos da forma orgânica à sua
forma solúvel disponível (mineral) para o aproveitamento pelas
plantas; oxidação.

Mitigação da mudança do clima – consiste em uma intervenção
humana com o intuito de reduzir ou remediar a emissão de GEE;
prevenção das causas das mudanças climáticas, visando à minimização
de seus efeitos adversos, o que seria possível por meio da
redução de emissão de GEE para a atmosfera.

MOS – Matéria Orgânica do Solo; material presente nas camadas
superficiais do solo, composto principalmente de carbono, nitro

gênio, fósforo, enxofre e outros elementos, resultante da decomposição
de material orgânico por macro e microrganismos do
solo, e que não é possível reconhecer sua origem por estar complexado
no solo; húmus.


MRV – Monitoramento, Reporte e Verificação; metodologia internacional
de comprovação de ações de mitigação.

Mudança do clima – para o IPCC, refere-se a qualquer mudança
no clima ao longo do tempo, quer devido à variabilidade natural,
quer como resultado da atividade humana. Porém, para a Con-
venção-Quadro sobre Mudança do Clima, refere-se à mudança
atribuída direta ou indiretamente à atividade humana que altere
a composição da atmosfera global.

N – nitrogênio; azoto; elemento químico; sua forma como um
gás atmosférico é o N2.

N2O – óxido nitroso; gás atmosférico.

Namas – Nationally Appropriate Mitigation Actions; Ações de Mitigação
Nacionalmente Apropriadas. Países em desenvolvimento
não possuem metas de redução de emissão de GEE, e sim ações de
mitigação adequadas ao contexto nacional. São ações que podem
levar a um desvio substancial das emissões dos países em desenvolvimento
em relação à trajetória tendencial. Essas ações deverão
ser monitoradas, informadas e verificadas. Tem por objetivo
uma desaceleração substancial no crescimento de suas emissões.

São, portanto, distintas das metas quantificadas de reduções de
emissões dos países desenvolvidos.


O2 – oxigênio molecular; gás atmosférico.

O3 – ozônio; gás atmosférico.

PAG – Potencial de Aquecimento Global; idem GWP.

PTG – Potencial de Temperatura Global; idem GTP.

PFC – Perfluorcarbono; gás atmosférico.

PNMC – Política Nacional sobre Mudança do Clima.

ppm – partes por milhão.

Preparo Convencional do Solo – sistema de manejo mecânico
do solo, com predomínio do revolvimento de suas camadas
superficiais por meio de implementos de discos ou hastes (arados,
grades, subsoladores etc.), em que ocorre inversão ou não
do horizonte, incorporação dos resíduos vegetais e exposição da
superfície do solo (solo fica descoberto).

RCE – Redução Certificada de Emissão, ou em inglês Certified
Emission Reductions (CER); corresponde a uma tonelada de CO2
equivalente ou “crédito de carbono”.


Resíduos vegetais – palhada; restos de plantas, caule, folhas
etc.; biomassa já morta ou em decomposição.

Rio 92 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, realizada em 1992, na cidade do Rio de Janeiro.

SAF – Sistema Agroflorestal; sistemas de cultivo que combinam
culturas anuais herbáceas (forrageiras ou não) consorciadas com
espécies arbóreas (frutíferas ou florestais) na mesma área, de forma
sequencial ou rotacionada.

Serviços ambientais – aqueles que se apresentam como fluxos
de matéria, energia e informação de estoque de capital natural,
que, combinados com serviços do capital construído e humano,
produzem benefícios aos seres humanos, tais como: i) os bens
produzidos e proporcionados pelos ecossistemas, incluindo alimentos,
água, combustíveis, fibras, recursos genéticos, medicinas
naturais; ii) serviços obtidos da regulação dos processos
ecossistêmicos, como qualidade do ar, regulação do clima, regulação
da água, purificação da água, controle de erosão, regulação
de enfermidades humanas, controle biológico e mitigação de
riscos; iii) benefícios não materiais que enriquecem a qualidade
de vida, tais como diversidade cultural, valores religiosos e espirituais,
conhecimento – tradicional e formal –, inspirações, valores
estéticos e éticos, relações sociais, sentido de lugar e pertencimento,
valor de patrimônio cultural, recreação e ecoturismo;

e iv) serviços necessários para produzir todos os outros, incluindo
produção primária, formação do solo, produção de oxigênio,
retenção de solos, polinização, provisão de habitat e reciclagem
de nutrientes.


SPD – Sistema Plantio Direto; sistema de produção baseado no
cultivo de lavouras anuais em solo não revolvido, com resíduos
vegetais em sua superfície (palhada) e em sistema de rotação
de culturas.

t – tonelada ou 1.000 kg; equivalente a Mg (megagrama).

t CO2 eq – toneladas de dióxido de carbono equivalente.

t CO2 eq/ano – toneladas de dióxido de carbono equivalente
por ano.

UA – Unidade Animal; equivalente a 450 kg de peso vivo animal.

UNFCCC – United Nations Framework Convention on Climate
Change; Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima.

Bibliografia consultada
e recomendada
Bibliografia consultada
e recomendada
AMADO, T. J. C. et al. Potential of Carbon Accumulation in no-till soils with
intensive use and cover crops in southern Brazil. Journal of Environmental
Quality, v. 35, p. 1599-1607, 2006.

ASSAD, E. D. et al. Aquecimento Global e a Nova Geografia da Produção
Agrícola no Brasil. Brasília: Embaixada Britânica; Campinas: Embrapa/
Unicamp, 2008. 84 p.

BAYER, C. et al. Carbon sequestration in two Brazilian Cerrado soils under
no-till. Soil & Tillage Research, v. 86, p. 237-245, 2006.

BRASIL. Lei no 12.187, de 29 de dezembro de 2009 (Lei Ordinária). Institui a
Política Nacional sobre Mudança do Clima e dá outras providências. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF,
29 dez. 2009. Seção Extra, p. 109. Coluna 2.

______. Decreto no 7.390, de 09 de dezembro de 2010. Regulamenta os arts.
6o, 11 e 12 da Lei no 12.187, de 29 de dezembro de 2009, que institui a Política
Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC, e dá outras providências. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF,
09 dez. 2010.
CARVALHO, J. L. N. et al. Adequação dos sistemas de produção rumo à
sustentabilidade ambiental. In: FALEIRO, F. G.; FARIAS NETO, A. L. (Ed.).
Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade, agronegócio
e recursos naturais. Planaltina: Embrapa Cerrados; Brasília: Embrapa
Informação Tecnológica, 2008. p. 671-692.

CARVALHO, J. L. N. et al. Carbon sequestration in agricultural soils in the
Cerrado region of the Brazilian Amazon. Soil & Tillage Research, v. 103,

p. 342-349, 2009.
CARVALHO, J. L. N. et al. Potencial de sequestro de carbono em diferentes biomas
do Brasil. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 34, p. 277-289, 2010.

CORAZZA, E. J. et al. Comportamento de diferentes sistemas de manejo
como fonte ou depósito de carbono em relação à vegetação de cerrado.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 23, p. 425-432, 1999.

DERPSCH, R. et al. Controle da erosão no Paraná, Brasil: sistemas de cobertura
do solo, plantio direto e preparo conservacionista do solo. TZ-Verag,
Rossdorf: Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit (GTZ)
Gmbh/IAPAR, 1991. 272 p. (Sonderpublikation der GTZ, n. 245).

FRANCHINI, J. C. et al. Integração Lavoura-Pecuária: alternativa para diversificação
e redução do impacto ambiental do sistema produtivo no Vale
do Rio Xingu. Londrina: Embrapa Soja, 2010. 20 p. (Embrapa Soja. Circular
Técnica 77, ISSN 2176-2864 Versão Eletrônica).

GASSEN, D. N., GASSEN, F. R. Plantio Direto. Passo Fundo: Aldeia Sul,
1996. 207p.
GHINI, R.; HAMADA, E. Mudanças Climáticas: impactos sobre doenças de
plantas no Brasil. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2008. 331p.

GOUVELLO, C. Estudo de Baixo Carbono para o Brasil. Brasília: Banco
Mundial, 2010. 278 p.

INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE (IPCC). Climate
Change 2007: synthesis report. PACHAURI, R. K.; REISINGER, A. (Ed.). Contribution
of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of
the Intergovernmental Panel on Climate Change. Geneva, Switzerland, 2007.

KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L. F.; AIDAR, H. (Ed.). Integração Lavoura-
Pecuária. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2003.

LIMA, M. A.; CABRAL, O. M. R.; MIGUEZ, J. D. G. Mudanças climáticas globais
e a agropecuária brasileira. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente,
2001. 397p.

LIMA, M. A. Agropecuária brasileira e as mudanças climáticas globais: caracterização
do problema, oportunidades e desafios. Cadernos de Ciência &
Tecnologia, Brasília, v.19, n. 3, p. 451-472, 2002.

LOBELL, D. B.; BALA, G.; DUFFY, P. B. Biogeophysical impacts of cropland
management changes on climate. Geophysical Research Letters, v. 33,
L06708, doi: 10.1029/2005GL025492, 2006.

MACEDO, M. C. M. Integração lavoura e pecuária: o estado da arte e inovações
tecnológicas. Revista Brasileira Zootecnia, v. 38, p.133-146, 2009.
MACHADO, J. A. Efeito dos sistemas de cultivo reduzido e convencional na
alteração de algumas propriedades físicas e químicas do solo. 129f. Tese
(Livre Docência) – Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 1976.

MARENGO ORSINI, J. A. Mudanças climáticas globais e seus efeitos sobre
a biodiversidade: caracterização do clima atual e definição das alterações
climáticas para o território brasileiro ao longo do século XXI. 2. ed. Brasília:
Ministério do Meio Ambiente, 2007. v. 1. 214 p.

McGUIRE, B. What are the chances of a devastating supervolcano in
Yellowstone? The Guardian Neswpaper, Seção Science, 17, Oct. 2011.

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA (MCT). Segunda Comunicação
Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima. Brasília: MCT, 2010. v. 1 e 2.

MUZILLI, O. Influência do sistema de plantio direto, comparado ao plantio
convencional, sobre a fertilidade da camada arável do solo. Revista Brasileira
de Ciência do Solo, v. 7, n. 1, p. 95-102, 1983.

PHILLIPS, S. H.; YOUNG JR., H. M. No-Tillage Farming. Milwaukee: Reiman
Associates, 1973. 224p.

PRIMAVESI, A. Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais.
São Paulo: Nobel, 1979. 549p.

PRIMAVESI, O.; ARZABE, C.; PEDREIRA, M. S. Mudanças Climáticas: visão
tropical integrada das causas, dos impactos e de possíveis soluções para ambientes
rurais ou urbanos. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2007. 200p.
RAIJ, B. V. Fertilidade do solo e adubação. São Paulo: Ceres; Piracicaba:
Potafos, 1991.

ROSCOE, R.; MERCANTE, F. M.; SALTON, J. C. Dinâmica da matéria orgânica
do solo em sistemas conservacionistas: modelagem matemática e métodos
auxiliares. Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2006. 304p.

SÁ, J. C. M. Manejo da fertilidade do solo no plantio direto. Castro: Fundação
ABC, 1993. 96p.

SÁ, J. C. M. et al. Organic matter dynamics and sequestration rates for a
tillage cronosequence in a Brazilian Oxisol. Soil Science Society of America
Journal, v. 64, p.1486-1499, 2001.

SÁ, J. C. M. et al. O plantio direto como base do sistema de produção visando

o seqüestro de carbono. Revista Plantio Direto, n. 84, nov./dez. 2004.
SÁ, J. C. M. et al. Dinâmica da Matéria Orgânica nos Campos Gerais. In:
SANTOS, G. A. et al. (Ed.). Fundamentos da matéria orgânica do solo:
ecossistemas tropicais e subtropicais. 2. ed. revista e ampliada. Porto
Alegre: Metrópole, 2008.

SALTON, J. C.; HERNANI, L. C.; FONTES, C. Z. Sistema Plantio Direto: o produtor
pergunta, a Embrapa responde. Brasília: Embrapa. 1998. (Coleção 500
Perguntas 500 Respostas).

SATURNINO, H. M.; LANDERS, J. N. O meio ambiente e o plantio direto.
Goiânia: Embrapa SPI. 1997.
SALTON, J. C. Matéria orgânica e agregação do solo na rotação lavoura-
pastagem em ambiente tropical. 158f. Tese (Doutorado) – Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

SANTOS, G. A. et al. (Ed.). Fundamentos da matéria orgânica do solo:
ecossistemas tropicais e subtropicais. 2. ed. revista e ampliada. Porto Alegre:
Metrópole, 2008. 654p.

TRIPLETT JR., G. B.; DICK, W. A. No-Tillage Crop Production: A Revolution
in Agriculture! Agronomy Journal, Madison, v. 100, p. S-153-S165, 2008.
(Celebrate the Centennial, A Supplement to Agronomy Journal).

TROEH, F. R.; THOMPSON, L. M. Solos e fertilidade do solo. 6. ed. São Paulo:
Andrei, 2007. 718p.
75
O Aquecimento Global e a Agricultura de Baixa Emissão de CarbonoDiferença entre os fatores GTP e GWP
Gás GWP1 GTP2
CO2 1 1
CH4 21 5
N2O 310 270
HFC-125 2.800 1.113
HFC-134a 1.300 55
HFC-143a 3.800 4.288
HFC-152a 140 0,1
CF4 6.500 10.052
C2F6 9.200 22.468
SF6 23.900 40.935
Fonte: MCT (2010).
Notas: 1De acordo com a Decisão 17/CP.8;
2 Para CH4 e N2O – Shine et al. (2005); para HFCs – Zhang et al. (2010) e para PFCs e SF6 – Zhang et al.
(submetido à publicação).
Anexo 1
O Aquecimento Global e a Agricultura de Baixa Emissão de CarbonoDiferença entre os fatores GTP e GWP
Gás GWP1 GTP2
CO2 1 1
CH4 21 5
N2O 310 270
HFC-125 2.800 1.113
HFC-134a 1.300 55
HFC-143a 3.800 4.288
HFC-152a 140 0,1
CF4 6.500 10.052
C2F6 9.200 22.468
SF6 23.900 40.935
Fonte: MCT (2010).
Notas: 1De acordo com a Decisão 17/CP.8;
2 Para CH4 e N2O – Shine et al. (2005); para HFCs – Zhang et al. (2010) e para PFCs e SF6 – Zhang et al.
(submetido à publicação).
Anexo 1

Fonte: Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

O Aquecimento Global e a Agricultura de Baixa Emissão de Carbono. Brasília:
MAPA / EMBRAPA / FEBRAPDP, 2011.

http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Desenvolvimento_Sustentavel/Abc/8.pdf

 

(Confira aqui o mercado de carbono no Mundo)

 

  • Comercializamos créditos de carbono, entre em contato por:sequestrarcarbono@gmail.com
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s