A TERRA E O HOMEM NO UNIVERSO

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A TERRA E O HOMEM NO UNIVERSO

1. INTRODUÇÃO

O céu que nos envolve sempre fascinou os humanos. Ao mesmo tempo em que admiramos sua magnitude e beleza, sentimos o desafio de conhecê-lo e o desejo de descobrir a sua conexão conosco1; e define bem nossas limitações e quão pequenos somos todos nós diante das incertezas. Desde a aurora da civilização, muitas foram às leituras do céu onde questões fundamentais que refletem a origem da Terra e a evolução da vida, mas também extensivas à origem do Universo e à própria concepção de espaço e tempo foram incorporadas aos fundamentos religiosos, mitológicos ou filosóficos, além de servir como instrumento de repressão, por meio do temor, de acordo com os interesses dos povos. Mas, com o nascimento da Ciência e o decorrer do tempo, as visões e as formas de pensamento foram sendo ampliadas, teorias desenvolvidas e fundamentadas, e a crença foi cedendo lugar a uma nova área – Astronomia, que tem por finalidade conhecer os astros, a sua constituição, as suas posições relativas à suas leis e os seus movimentos, e desde então está em constante evolução. A astronomia moderna, baseada na física e com o apoio da tecnologia, permite que o céu seja investigado em níveis sofisticados de detalhamento, privilégio das gerações atuais. Além disso, possibilita que a informação proveniente de corpos celestes seja analisada de maneira que o céu se transforme em um fascinante laboratório, onde processos físicos impossíveis de serem reproduzidos na Terra são observados, analisados e desvendados. Decifrando sua formação e evolução, estamos descobrindo seus mistérios, tão ligados à nossa própria existência – razão do Cosmo, razão humana2. A vida é a exuberância planetária, um fenômeno solar. É a transmutação astronomicamente local do ar, da água e do sol terrestres em células. É um padrão intricado de crescimento e morte, pressa e recuo, transformação e decadência. É a matéria desenfreada, capaz de escolher sua própria direção para prevenir indefinidamente o momento inevitável do equilíbrio termodinâmico – a morte3. A existência e a manutenção da grande diversidade de seres vivos existente sobre a face da Terra é consequência das condições excepcionais existentes na Terra, que condicionaram a evolução da vida em nosso planeta. Desde que os humanos passaram a viver em sociedade, organizam-se de diferentes formas para produzir a sua subsistência, retirada de uma fonte: a natureza. Nela repousam os elementos primordiais para a existência humana e de todos os seres vivos, pois ela é vida. A Terra e a humanidade, que depende da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo são parte indissociável deste vasto Universo em constante transformação4 há bilhões de anos, e o frágil equilíbrio que leva à vida emana de uma corrente de fenômenos cósmicos, processos naturais eou antropogênicos – atividades humanas, que ocasionam mudanças constantes em todos os seus componentes e sua compreensão só é realmente possível pelo estudo simultâneo dos elementos que a compõem.
1 O Fascínio do universo  organizadores Augusto Damineli, João Steiner – São Paulo: Odysseus Editora, 2010.
2 Platão em Timeu, 47bc..
3 Os recursos naturais e o homem [recurso eletrônico]: o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado frente à responsabilidade solidária org. Arlindo Butske, Sieli Pontalti. – Dados eletrônicos. –Caxias do Sul, RS: 2012. 379 p.: Il.; 23 cm. p. 13, apud Lynn Margulis e Dorian Sagan. O que é vida?
4 A Carta da Terra.
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2. O UNIVERSO
A humanidade tenta compreender o Universo desde os tempos mais remotos. Não tardou até que começássemos a tentar entendê-lo. O Universo é constituído de tudo o que existe fisicamente, a totalidade do espaço e tempo e todas as formas de matéria e energia, e as leis que a governam. O Universo deve ser considerado um sistema termodinamicamente aberto, no qual a matéria–energia é criada à custa da energia gravitacional. Tudo está em movimento no Universo. Os movimentos são compostos pela velocidade de expansão do Universo, pelo movimento de rotação das partículas e dos corpos em equilíbrio dinâmico entre si5. Em nível macroscópico, tal equilíbrio dinâmico se processa por intermédio das forças de gravidade lógica e centrífuga. Em nível atômico, esse equilíbrio se dá através da força elétrica e centrífuga. Em nível nuclear, tal equilíbrio ocorre entre a força de gravidade forte e a centrífuga. As forças no Universo são transmitidas através de partículas mediadoras, com exceção da força centrífuga, que surge devido ao movimento circular. As partículas mediadoras estão sujeitas ao efeito de aberração, mudando a direção das forças que elas transportam consigo, fazendo com que essas forças se decomponham em radiais e tangenciais. As forças radiais vão entrar em equilíbrio com as forças centrífugas; as tangenciais são aquelas responsáveis pelas velocidades tangenciais nos movimentos circulares. Tudo que há no Universo teve origem no Big Bang, na forma de energia pura. Durante o Big Bang, na sua fase de aceleração, as energias adquiriram velocidades ilimitadas que são proporcionais às suas distâncias ao centro do Universo. Terminando essa fase de aceleração, cada quantidade de energia permaneceu com a sua velocidade uniforme adquirida na fase anterior. Tais quantidades combinaram com outras através da gravidade lógica, materializando em partículas fundamentais num equilíbrio dinâmico. Essas partículas, por sua vez, combinaram sucessivamente com outras em vários níveis cada vez mais complexos até chegar ao nível atômico. A partir daí, formaram-se as galáxias, que continuam com suas velocidades ilimitadas adquiridas pelos seus quanta originais. As forças de gravidade que atuam entre as partículas num nível de materialização sofrem a influência da velocidade gerada no equilíbrio de um nível superior de materialização, transformando-se na força gravitacional forte. As radiações são constituídas por partículas de energia que, ao procurarem um estado de equilíbrio entre elas e partículas materializadas em níveis mais complexos, aceleram devido à força de gravidade, e antes de encontrarem um ponto de equilíbrio, alcançam a velocidade da luz, não podendo ser atingidas pelos energétrons, com velocidades ligeiramente menores que a da luz, e consequentemente são emitidas pela tangente às suas órbitas nessa velocidade c. Logo, todas as espécies de radiações são emitidas com velocidades c e sofrem a influência das velocidades de suas fontes; consequentemente alcançam velocidades superiores à velocidade da luz (c). Ao alcançarem outras partículas, devido às velocidades destas e ao efeito de aberração, modificam os módulos de suas velocidades e suas trajetórias de chegada aos seus destinos. Já as partículas materializadas não podem ser aceleradas até atingir exatamente a velocidade da luz, pois a energia fornecida para promover essa aceleração será consumida para aumentar internamente a força gravitacional forte. Enquanto isso, as partículas materializadas que formam as galáxias, que representam tudo no Universo, e que têm velocidades ilimitadas, adquiriram velocidades superiores a da luz, através dos seus quanta originais, que podiam ser acelerados durante a fase de aceleração de expansão do universo, pois não possuíam internamente força gravitacional forte.
5 Antunes, Geraldo Cacique. O Universo. Os princípios que regem o funcionamento do universo. 2005.
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3. O BIG BANG E A ORIGEM DOS ELEMENTOS
A primeira dedução lógica sobre o Universo que nós conhecemos é a existência de um Criador. As leis que governam a Natureza são tão simples e lógicas que tornam impossível que a existência de tudo, no Universo, seja obra do acaso. Portanto, deve haver uma inteligência suprema que, de alguma maneira projetou e executou esse maravilhoso empreendimento, que é o Universo. Até o século 14, acreditava-se que o Universo era formado pela Terra, ao centro, e pelo céu girando ao redor dela, com seus elementos fixos nele. Esta ideia primordial de “universo” foi se modificando conforme se faziam novas descobertas, através da observação do céu. A concepção de Universo, em meados do século 17 havia já incorporado às noções de espaço e tempo de Newton. O Universo parecia um espaço-tempo estático e infinito, muito distinto daquele em que o destino humano e os deuses estavam intimamente ligados à concepção de mundo. As teorias que envolvem o início do universo estão relacionadas à energia, conceito que surgiu na metade do século 19. Até por volta de 1908, havia um consenso de que o Cosmo era estático e eterno, não se cogitava o início do universo a partir do Big Bang. Mas, a partir da década de 1916, com a teoria da relatividade criada por Albert Einstein, a qual dizia que o universo estaria se expandindo, a ideia de universo, aceita até então, ganhou novos rumos. No ano de 1924, o astrônomo Edwin Powell Hubble, usando um telescópio de 2,5 metros no Monte Wilson, mostrou que estruturas que eram conhecidas como nebulosas difusas, eram na verdade galáxias como a nossa. Com isso, o Universo até então conhecido, teve mais um avanço. Pouco depois, em 1929, Hubble mostrou que as galáxias se afastam uma das outras com velocidades proporcionais a sua distância e, medindo suas distâncias verificou que quanto mais distante, maior era sua velocidade de afastamento. Esse tipo de desvio acontece quando o observador e a fonte luminosa estão se afastando e, a velocidade com que a galáxia está se afastando da Terra pode ser calculada pelo desvio observado. Segundo a NASA, o Universo surgiu há 13,7 G.a.6, num único momento – o Big Bang7, que levou toda matéria e energia que estava compactada em uma única e ultradensa matéria a se expandir, gerando quatro qualidades de forças pilares sobre os quais ocorrem todas as interações: gravítica, nuclear forte, nuclear fraca e a electromagnética. A velocidade da expansão acelerou-se de forma inflacionária, só deixando uma ínfima parte do espaço dentro de nosso raio de visibilidade. Eras inteiras se sucederam em frações de segundo. Matéria e antimatéria aniquilaram-se em forma de luz, restando apenas um bilionésimo da matéria inicial e muita luz. Com a idade de três minutos, cerca de 10% do hidrogênio havia se transformado em hélio. Nesta fase, o Universo era uma espécie de sopa uniforme, luminosa e não transparente. A luz não permitia a aglutinação da matéria. Aos 400 mil anos, a temperatura baixou para 3000°C e o plasma ionizado ficou neutro. O céu tornou-se transparente e escuro, como ainda é hoje. As tênues nuvens de gás desabaram sob o peso de sua própria gravidade, formando “rios” de matéria. Após 200 milhões de anos de escuridão – idade das trevas formou-se a primeira geração de estrelas que reiluminaram o universo e aglutinaram-se em galáxias. O coração quente das estrelas passou a fundir os átomos menores em maiores.
6 Hinshaw, 2005. A idade do universo é o tempo entre o Big Bang até o presente momento. Há alguns anos, a sonda WMAP colectou dados que levaram astrônomos chegarem a conclusão de que os dados da sonda aceitava a determinação da idade do Universo em 13,73 (± 0,12) bilhões de anos. Entretanto, com base em dados coletados pelo satélite Planck, da Agência Espacial Europeia – ESA, que entre 2009 e 2013 mapeou o céu em busca de pequenas variações na chamada Radiação Cósmica de Fundo, foi descoberto que o Universo é quase 100 milhões de anos mais velho. As interpretações de observações astronômicas em 2014 indicaram que a idade do Universo é de 13,82 bilhões de anos.
7 Andrews et al., 1996; Albarède, 2003; Burnham et al., 2003
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As grandes estrelas formaram o oxigênio; as intermediárias formaram o carbono e o nitrogênio. Aos dois bilhões de anos, o universo já estava repleto desses átomos biogênicos, que começaram a se ligar e formar moléculas, dentre as quais a água, uma das mais abundantes e antigas. Após um bilhão de anos de idade do Cosmo, a força de gravidade começa a juntar o hidrogênio e o hélio, formando gigantescas nuvens de gás. Estas nuvens de gás começaram a contrair e a girar a grande velocidade formando as primeiras galáxias, algo semelhante à formação de um sistema planetário, mas muito maior. Durante a formação das galáxias foram-se formando também as estrelas, resultantes de aglomerados menores de gás que se contraíram. Depois de ultrapassado o tempo de vida das estrelas, estas explodiram, tal como ainda acontece, libertando elementos pesados, dando origem a novas estrelas e planetas. As galáxias adotaram diferentes formas, e de acordo com essa característica podem ser classificadas como Galáxias Espirais, Galáxias Espirais em Barra e Galáxias Elípticas8. Existem também Galáxias Irregulares e Galáxias anãs. A Galáxia Via láctea é classificada como sendo uma Galáxia Espiral e está inserida no chamado grupo local de galáxias, constituído por cerca de outras 30 galáxias. A Via Láctea é uma das duas principais deste grupo, sendo a mais maciça, a outra é a Galáxia de Andrômeda, a de maior dimensão. É num dos braços da Via láctea, que se localiza o nosso Sistema Solar, um sistema planetário com condições raras, ou até mesmo únicas, indispensáveis à Vida.
3.1 Via Láctea
A Via Láctea é uma galáxia em espiral da qual o Sistema Solar faz parte. Formada por centenas de bilhões de estrelas, a galáxia possui estruturas diferenciadas entre si. No bojo central, que possui forma alongada, há uma grande concentração de estrelas, sendo que o exato centro da galáxia abriga um buraco negro supermassivo. Ao seu redor estende-se o disco galáctico, formado por estrelas dos mais diversos tipos, nebulosas e poeira interestelar, dentre outros. É nesta proeminente parte da Via Láctea que se manifestam os braços espirais. Ao seu redor, encontram-se centenas de aglomerados globulares. Entretanto, a dinâmica de rotação da galáxia revela que sua massa é muito maior do que a de toda a matéria observável, sendo este componente adicional, denominado matéria escura. O Sistema Solar localiza-se a meia distância entre o centro e a borda do disco, na região do Braço de Órion, que trata-se de uma estrutura menor entre dois braços principais. O Grupo Local é o aglomerado de galáxias esparso da qual a Via Láctea faz parte, sendo um de seus maiores componentes. Nossa galáxia possivelmente começou a se originar quando iniciou o colapso da matéria que compunha o Universo primordial. O material inicial visível que existia antes da formação da galáxia era composto somente por hidrogênio, hélio e uma quantidade pequena de lítio. Com o surgimento de estrelas, elementos mais pesados passaram a ser sintetizados e posteriormente liberados no meio interestelar por meio de ventos estelares ou explosões de supernova. Este material, por sua vez, era incorporado na formação de uma nova geração de estrelas que, por consequência, passavam a ter maior fração de outros elementos químicos. Desta forma, a abundância de núcleos atômicos pesados determina se a estrela pertence a gerações mais antigas ou mais recentes, sendo possível, portanto, analisar o processo de evolução química da galáxia9. Os aglomerados globulares possuem os menores teores metálicos sendo, portanto, os componentes mais antigos. Sua idade não determina necessariamente a idade da galáxia como um todo, mas fornece um limite máximo que a galáxia pode ter.
8 Segundo o esquema de classificação de Hubble.
9 Ker Than. Billions of Earthlike Planets Crowd Milky Way?. National Geographic. 1411 2012.
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Este limite geralmente é descrito como sendo aproximadamente 13,2 bilhões de anos10. Em geral, sugere-se que estrelas da População II, velhas e pobres em elementos pesados foram as primeiras a se formar, sendo que este período de formação se estendeu por somente um bilhão de anos. O disco, conforme o gás extragaláctico incorporava-se, passava a ser povoado por novas e grandes estrelas do Tipo I, cuja formação durou pelos doze bilhões de anos e se estende até os dias atuais11. O auge da atividade de formação estelar possivelmente ocorreu entre onze e sete bilhões de anos passados, período no qual cerca de noventa por centro das estrelas atuais teriam surgido12. A análise da abundância de elementos mais pesados como oxigênio e magnésio no disco, mostra que sua distribuição varia gradualmente conforme a distância ao centro galáctico, sendo mais abundantes em sua parte mais interna, sugerindo que o disco teria se formado de dentro para fora, uma vez que a maior abundância de elementos pesados significa que mais gerações de estrelas existiram e que, portanto, a região é mais antiga13.
3.2 Sistema Solar
O Sistema Solar é composto de uma estrela, oito planetas, cinco planetas-anões, centenas de satélites, milhares de asteroides e centenas de milhões de cometas, além de rocha e poeira interplanetária. Toda essa materia mantém unida pela força gravitacional do Sol, o componente maior14. A massa do Sistema Solar está concentrada no Sol, já que ele retém 99,8% da massa total, sendo 70,9% de hidrogênio, 27% de hélio e 2,1% de outros elementos químicos. Essa proporção de massa entre estrela e sistema planetário é regra O Sol não é apenas o objeto mais maciço do Sistema Solar, ele é também o maior e o mais quente. Todo o Sistema Solar nasceu de uma mesma nuvem primitiva de gás e poeira, há cerca de 4,67 bilhões de anos. Como todas as estrelas, o Sol surgiu da contração de uma nuvem fria de gás e poeira – Nebulosa Solar Primitiva (NSP). Durante a contração, um embrião do Sol, o proto-Sol, formava-se no centro da NSP. Sua temperatura era bem menor que a atual e ele emitia radiação infravermelha. Quanto mais a nuvem se contraia, mais rapidamente ela girava. Essa rotação provocava a formação de um disco de matéria na região equatorial do proto-Sol. Esse sentido de rotação da nuvem é o que predominou no Sistema Solar. Os corpos rochosos cresceram gradativamente, acumulando matéria através de colisões. Este processo, conhecido por acreção. No principio as colisões ocorriam entre grãos, que, aos poucos, iam se tornando aglomerados maiores até formarem planetesimos, corpos maiores que um km de diâmetro. À medida que a massa aumentava, a gravidade do corpo atuava com mais intensidade. Isto acelerava ainda mais o acúmulo de matéria. Nesta fase, as colisões se tornavam cada vez mais violentas. Parte das crateras formadas nas colisões ainda permanece exposta nas superfícies de planetas e satélites. Estes corpos se formaram perto do Sol, uma região quente em que predominava a composição química típica dos rochosos. Os planetas gasosos podem ter se formado por processo diferente, denominado instabilidade de disco. Ele se parece mais com o processo de formação das estrelas.
10 Zeilik 2002, p. 361.
11 Robert Naeye. 2382007. Neutron stars. NASA.
12 Black Holes. NASA.
13 How many black holes are there? Victor Winter. The stars of the Milky Way Fairfax Public Access Corporation.
14 O céu que nos envolve. Introdução à astronomia para educadores e iniciantes. Odysseus Editora Ltda. Edição: 1ª. Ano: 2011. Capítulo 5. Sistemas planetários. Enos Picazzio, p. 142 a 146.
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Essa instabilidade gravitacional no disco de matéria provoca o surgimento de grandes bolhas de gás, que acumulam matéria com muita rapidez. Este processo pode ser mil vezes mais rápido que o de acreção. A região onde se formaram os planetas gigantes era mais fria e composta predominantemente por gases. Júpiter e Saturno são compostos essencialmente de hidrogênio e hélio, como o Sol. Como grandes massas implicam em campos gravitacionais intensos, estes planetas acumularam muitos satélites. A matéria que não foi acrescentada aos planetas e satélites ficaram concentrados nos asteroides e cometas. A maior parte dos asteroides permaneceu no cinturão principal de asteroides. A região diante de Netuno concentra a maior parte da sobra de material. Os planetesimos que não se agregaram aos planetas permaneceram nessa região como objetos transnetunianos, alguns concentrados no Cinturão de Edgeworth-Kuiper, outros espalhados pela região em órbitas muito alongadas (alta excentricidade) e outros, ainda, na Nuvem de Oort. Os cometas de curto e médio período foram formados nessa regiao e lá permaneceram em órbitas quase coplanares com a eclíptica. Já os cometas de longo período teriam se formado nas imediações dos planetas gigantes, mais próximos do Sol, e lançados para os confins do Sistema Solar por consequência de interações gravitacionais. Assim teria se formado a Nuvem de Oort, com sua configuração esférica.
4. A TERRA
A Terra é um sistema vivo que abriga milhões de organismos, incluindo os humanos e apresenta delicado equilíbrio para manter a vida. Os cientistas conseguiram reconstruir informação detalhada sobre o passado do planeta. O material datado mais antigo do Sistema Solar formou-se há 4,5672 ± 0.0006 bilhões de anos15, e há cerca de 4,54 bilhões de anos (com incerteza inferior a 1%)16 a Terra e os outros planetas do Sistema Solar haviam-se formado a partir da nebulosa solar – uma massa discóide de poeiras e gás que havia sobrado da formação do Sol. Este processo de acreção da Terra ficou em grande parte completo em 10-20 milhões de anos17. Inicialmente fundida, a camada exterior do planeta Terra arrefeceu, formando-se uma crosta sólida quando a água começou a acumular-se na atmosfera. A Lua formou-se pouco tempo depois, há 4,53 bilhões de anos18. Inicialmente fundida, a camada exterior do planeta Terra arrefeceu, formando-se uma crosta sólida quando a água começou a acumular-se na atmosfera. Embora a Terra tenha se esfriado após um período incandescente, ela continua um planeta inquieto, mudando continuamente por meio de atividades geológicas, tais como terremotos, vulcões e glaciações. Essas atividades são governadas por dois mecanismos térmicos: um interno e outro externo.
15 Bowring, S.; Housh, T.. (1995). “The Earth’s early evolution”. Science 269 (5230). DOI:10.1126/science.7667634. PMID 7667634.
16 DALRYMPLE, G.B.. The Age of the Earth. California: Stanford University Press, 1991. ISBN 0-8047-1569-6. Ver: DALRYMPLE, G.B.. The Age of the Earth. California: Stanford University Press, 1991. ISBN 0-8047-1569-6; NEWMAN, William L. (2007-07-09). Age of the Earth Publications Services, USGS. Página visitada em 2007-09-20. DALRYMPLE, G. Brent. (2001). “The age of the Earth in the twentieth century: a problem (mostly) solved”. Geological Society, London, Special Publications 190 (1): 205–221. DOI:10.1144/GSL.SP.2001.190.01.14. STASSEN, Chris (2005-09-10). The Age of the Earth TalkOrigins Archive.
17 NEWMAN, William L. (2007-07-09). Age of the Earth Publications Services, USGS.
18 Kleine, Thorsten; Palme, Herbert; Mezger, Klaus; Halliday, Alex N.. (2005-11-24). “Hf-W Chronometry of Lunar Metals and the Age and Early Differentiation of the Moon”. Science 310 (5754): 1671–1674. DOI:10.1126/science.1118842. PMID 16308422.
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O mecanismo interno é governado pela energia térmica aprisionada durante a origem cataclísmica do planeta, e gerada pela radioatividade em seus níveis mais profundos. O calor interior controla os movimentos no manto e no núcleo, suprindo energia para fundir rochas, mover continentes e soerguer montanhas. O mecanismo externo é controlado pela energia solar – calor da superfície terrestre proveniente do Sol. O calor do Sol energiza a atmosfera e os oceanos e é responsável pelo nosso clima e condições meteorológicas do tempo. Chuva, vento e gelo erodem montanhas e modelam a paisagem e, por sua vez, a forma da superfície da Terra é capaz de provocar mudanças climáticas. Todas as partes do nosso planeta e suas interações, tomadas juntas, constituem o Sistema Terra.
4.1 Gases da Atmosfera
Os gases constituintes da atmosfera terrestre têm um papel fundamental no sistema climático, em particular na manutenção de temperaturas amenas no planeta – efeito de estufa, assim como um papel na absorção parcial da radiação solar, em particular da perigosa radiação ultravioleta através da camada de ozônio. Estas características foram sendo adquiridas ao longo da evolução da Terra à medida que esta foi sendo colonizada pelas primeiras bactérias e outros organismos unicelulares. A atmosfera terrestre tem, como principal característica, o fato de ser um sistema claramente fora do equilíbrio termodinâmico. Se bem que o nitrogênio, que constitui 79% da atmosfera seja basicamente não reativo, o mesmo não se passa com o oxigênio. O sistema atmosfera efetua ainda trocas com as restantes esferas terrestres, em particular com os oceanos e a biosfera, mas também com a litosfera e o manto, fontes importantes de gases através dos sistemas vulcânicos e hidrotermais. A atmosfera terrestre evoluiu através da desgaseificação do manto durante os primeiros milhões de anos de evolução da Terra e da incorporação de componentes gasosos a partir de corpos celestes que colidiam frequentemente com o planeta. Se aceita hoje que a atmosfera primitiva seria muito rica em CO2 e CH4, gases com elevado potencial de efeito de estufa, o que a acrescer ao vapor de água, terão mantido a superfície terrestre com temperaturas elevadas na ordem dos 90ºC. A situação foi-se modificando, à medida que se estabelece o ciclo hidrológico e se forma a crosta continental, dando lugar à meteorização das rochas e consumo do CO2 atmosférico. Com o aparecimento das primeiras bactérias e desenvolvimento do metabolismo aeróbico, o oxigênio foi sendo progressivamente formado por processos biológicos e não somente através de fotólise. Inicialmente, o oxigênio produzido é consumido na oxidação de elementos e compostos reduzidos não havendo lugar à sua acumulação de forma significativa na atmosfera. A situação muda por volta dos 2.2 a 2.0 Ga., pois subitamente as formações bandadas de ferro desaparecem do registo geológico e a fraccionação dos isótopos estáveis de enxofre denotam a existência de mecanismos de oxidação do elemento que não exclusivamente por fotólise. Nesta altura, a atmosfera adquire gradualmente as características que conhecemos atualmente, mas o planeta ainda vai testemunhar muitas oscilações na composição atmosférica, em particular do oxigênio e dióxido de carbono. No Proterozóico superior dá-se um evento climático catastrófico, que leva ao desenvolvimento de uma glaciação global desde os polos ao equador, conhecida como a hipótese da “Snowball Earth” – Teoria da Bola de Neve. Nesta altura, a própria vida na Terra sofre uma provação sem igual e o planeta mergulha num gélido manto branco cujos modelos físicos preveem não ser possível de recuperar, mas que a acumulação de CO2 na atmosfera vai demonstrar precisamente o contrário.
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Após a explosão do Câmbrio, que pode estar relacionada com a acumulação do oxigênio na atmosfera, os níveis dos gases atmosféricos mantêm-se relativamente constantes. No entanto, em diversas ocasiões assiste-se a variações dos níveis atmosféricos em O2 e CO2. Um desses eventos decorre durante o desenvolvimento das grandes plantas terrestres tendo-se estabelecido um desequilíbrio no balanço entre a produção e consumo do oxigênio, permitindo que este tenha atingido níveis bem mais elevados que os atuais. Já o CO2 encontra-se em concentrações mais elevadas que as atuais durante todo o Fanerozóico, tendo igualmente ocorrido transferências substanciais deste gás para a atmosfera durante eventos de superplumas e formação das grandes províncias ígneas como os Traps do Decan (Índia) na transição Cretácico/Terciário ou da Sibéria, na transição Pérmico/Triássico. Estes eventos, coincidentes com importantes extinções em massa da vida terrestre, não são exclusivos na transferência de CO2 para a atmosfera, pois existe forte evidência da libertação de quantidades substanciais de metano para a atmosfera na transição do Paleocênico/Eocênico, metano esse que por via do oxigênio atmosférico é rapidamente oxidado para CO2. Todos estes processos são fulcrais para a compreensão do comportamento do sistema climático terrestre a escalas de tempo dificilmente equacionáveis por modelos numéricos e que se tornam fundamentais na compreensão da evolução climática no futuro. Numa escala de tempo de milhares de anos, o registo dos gases atmosféricos aprisionados nos gelos da Groenlândia e Antarctica mostram variações na composição atmosférica com uma resolução que dificilmente imaginaríamos possível há poucos anos atrás.
4.2 Sistema Climático da Terra
O sistema climático da Terra é considerado como um grande complexo sistema físico, composto por vários subsistemas (atmosfera, hidrosfera, criosfera, litosfera), entre os quais há trocas de calor, momento e de massa, sobretudo de vapor de água19. A atmosfera é de todos os componentes físicos do sistema climático aquele que evolui com maior rapidez: o tempo de resposta da baixa atmosfera a qualquer mudança de temperatura que lhe seja imposta é de cerca de um mês. A superfície dos oceanos possui um tempo de resposta mais longo (meses, anos) às interações com a atmosfera e a criosfera, enquanto o ajustamento térmico das águas mais profundas é da ordem das centenas de anos. O tempo de resposta da criosfera é muito diferente conforme se tratar da cobertura de neve ou das grandes massas de gelo continentais. As mudanças na cobertura de neve têm, sobretudo, um estacional, o que implica uma influência acentuada no ritmo térmico de certas regiões, devido ao albedo muito elevado da neve fresca. Pelo contrário, as grandes massas de gelo apresentam variações significativas de volume apenas em períodos longos, da ordem de centenas, milhares ou, mesmo, milhões de anos. No que se refere à fisionomia geral dos continentes e dos fundos oceânicos apenas se modifica a escala da própria história da Terra. Mas, já não acontece assim com a biosfera, em que o período das transformações pode ir de algumas semanas (áreas cultivadas) até dezenas ou centenas de anos (florestas). Outro aspecto importante diz respeito às retroações positivas e negativas, que se exercem no interior do sistema climático. As superfícies cobertas de gelo ou de neve refletem quase toda a energia solar incidente, o que leva a um arrefecimento da superfície da Terra, logo um prosseguimento da fusão.
19 O clima, à escala global. p 204 e 205. Os diferentes componentes do sistema climático foram definidos em The Physical Basis of Climate and Climate Modelling, GARP Publications, Series n. 16, WMO, Geneva, 1975.
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A não consideração destes fenômenos de retroação pode influenciar grandemente os resultados dos modelos numéricos. Os estudos das variações climáticas em períodos da ordem das dezenas ou das centenas de anos só poderão efetivar-se pela análise conjunta da circulação atmosférica e da circulação oceânica, à escala planetária. Os fluxos de energia assegurados pela circulação oceânica são tão importantes como os que derivam da circulação atmosférica no que concerne a definição dos contrastes térmicos e o regime dos ventos. Outro aspecto fundamental é o das interações entre a atmosfera e os ecossistemas terrestres, entre os quais se dão trocas de calor e vapor de água. Neste plano ganham significado as atividades humanas, pelas modificações que introduzem não só na vegetação, com reflexos importantes, por exemplo, no albedo, mas também na constituição do ar, sobretudo na concentração do dióxido de carbono e de poeiras troposféricas e estratosféricas. Não obstante, vale sublinhar a importância dos oceanos, que constituem o principal regulador da concentração do gás carbônico na atmosfera. Além disso, como os oceanos como os oceanos representam um enorme reservatório de energia, pois absorvem a maior parte da radiação incidente, podem, por isso, protelar os efeitos térmicos do aumento da concentração do dióxido de carbono. As atividades e trocas de gases que ocorrem nos ecossistemas terrestres e oceânicos têm forte interação com a atmosfera e controlam a composição de gases e de partículas de aerossóis que influenciam na formação de nuvens – as quais, por sua vez, são críticas para aspectos relativos à chuva e a processos hidrológicos. Esse sistema é extremamente dinâmico, e o relacionamento dos movimentos que ocorrem na baixa atmosfera com os processos estratosféricos é essencial na questão climática.
5. MUDANÇAS CLIMÁTICAS ERA ANTROPOCENO
Nunca antes, a relação dos humanos com a natureza esteve tão abalada como em nossos dias, época em que a humanidade deve escolher o seu futuro, já que as atividades humanas estão mudando o funcionamento básico do ecossistema, alterando o equilíbrio energético do sistema climático e provocando mudanças climáticas. Compreender as evidências científicas relativas às alterações climáticas é o ponto de partida para compreender os desafios colocados ao desenvolvimento humano no século 21. Aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra que ocorre desde meados do século 19 e que deverá continuar no século 21, causado pelas emissões humanas de gases do efeito estufa, e amplificado por respostas naturais a esta perturbação inicial, em efeitos que se autorreforçam em realimentação positiva20. A Terra, em sua longa história, já sofreu muitas mudanças climáticas globais de grande amplitude. Isso é demonstrado por uma série de evidências físicas e por reconstruções teóricas. Já houve épocas em que o clima era muito mais quente do que o de hoje, com vários graus centígrados acima da média atual, tão quente que em certos períodos o planeta deve ter ficado completamente livre de gelo. Entretanto, isso aconteceu há milhões de anos, e suas causas foram naturais. Também ocorreram vários ciclos de resfriamento importante, conduzindo às glaciações, igualmente por causas naturais. Entre essas causas, tanto para aquecimentos como para resfriamentos, podem ser citadas mudanças na atividade vulcânica, na circulação marítima, na atividade solar, no posicionamento dos polos e na órbita planetária.
20Myneni, Ranga. “Amplified Greenhouse Effect Shaping North into South”. EurekAlert,, 10/03/201. Hansen, Kathryn. “Amplified Greenhouse Effect Shifts North’s Growing Seasons”. NASA Headquarters Press Release, 10/03/2013.
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A mudança significativa mais recente foi a última glaciação, que terminou em torno de 11 mil anos atrás, e projeta-se que outra não aconteça antes de 30 mil anos21. Este último período pós-glacial, chamado Holoceno, também sofreu várias mudanças notáveis e às vezes abruptas, mas as evidências levam a crer que foram localizadas, e acredita-se que a temperatura média global tenha permanecido relativamente estável durante os 1.000 anos que antecederam 1850, com flutuações regionais, como o período de calor medieval ou a pequena idade do gelo, que são melhor explicadas por causas naturais. Muitas dessas mudanças, especificamente os períodos de aquecimento, são em alguns aspectos comparáveis e até mais intensas do que as que hoje se verificam, mas em outros aspectos o aquecimento contemporâneo é distinto, e, se as projeções de aumento de cerca de 5°C até 2100 se confirmarem, será uma alteração inédita nos últimos 50 milhões de anos da história do planeta, em particular no que diz respeito à velocidade do aquecimento22. A temperatura global aumentou em média 0,78°C quando comparada às médias dos períodos 1850–1900 e 2003–2012, com uma faixa de variação de 0,72 a 0,85ºC23. Esse aumento não pode ser explicado satisfatoriamente sem levarmos em conta a influência humana24. A elevação na temperatura não foi, porém, linear, com várias oscilações para mais e para menos. Variações desse tipo são naturais e esperadas, mas a tendência geral é claramente ascendente, e isso as observações têm provado. De fato, há fortes evidência indicando que o aquecimento antrópico tem sido tão importante que reverteu uma tendência natural dos últimos 5 mil anos de resfriamento do planeta25. Não só os gases estufa vêm aumentando. O aumento das concentrações de aerossóis atmosféricos, que bloqueiam parte da radiação solar antes que esta atinja a superfície da Terra e tendem a provocar o resfriamento, também retardou em parte o processo de aquecimento global26. Desde 1979, as temperaturas em terra aumentaram quase duas vezes mais rápido que as temperaturas no oceano (0,25°C por década contra 0,13°C por década). As temperaturas na troposfera mais baixa aumentaram entre 0,12 e 0,22°C por década desde 1979, de acordo com medições de temperatura via satélite27. Emissões antrópicas de outros poluentes – em especial aerossóis de sulfato – podem gerar um efeito refrigerativo através do aumento do reflexo da luz incidente. Isso explica em parte o resfriamento observado no meio do século XX, apesar de que o resfriamento pode ter sido em parte devido à variabilidade natural. O paleoclimatologista William Ruddiman argumentou que a influência humana no clima global iniciou-se por volta de 8.000 anos atrás, com o início do desmatamento florestal para o plantio e 5.000 anos atrás com o início da irrigação de arroz asiática. A interpretação que Ruddiman deu ao registro histórico com respeito aos dados de metano tem sido disputado.
21 IPCC (2007a), pp. 449–454
22 IPCC (2007a), pp. 244; 460–469
23 IPCC. Climate Change 2013: The Physical Science Basis: Technical Summary. Contribution of Working Group I (WGI) to the Fifth Assessment Report (AR5) of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), 2013
24 IPCC (2007a), pp. 244; 466–478
25 IPCC. Climate Change 2013: The Physical Science Basis: Technical Summary. Contribution of Working Group I (WGI) to the Fifth Assessment Report (AR5) of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), 2013
26 United States National Academy of Sciences. “Understanding and Responding to Climate Change”, 2008.
27 b IPCC (2007a), p. 665
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Segundo o Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC, elaborado sob os auspícios da Organização Meteorológica Mundial – OMM e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, e que representa a síntese científica mais ampla, atualizada e confiável sobre o assunto, a mudança na temperatura da superfície terrestre vem ocorrendo com certeza no último século, com um aumento médio de 0,78°C quando comparadas as médias dos períodos 1850–1900 e 2003–2012. A média teve uma variação de 0,72 a 0,85ºC. Cada uma das tês últimas décadas bateu o recorde anterior de ser a mais quente desde o início dos registros. É virtualmente garantido que os extremos de temperatura têm aumentado globalmente desde 1950, e que desde 1970 a Terra acumulou mais energia do que perdeu28. A maior parte do aumento de temperatura se deve a concentrações crescentes de gases do efeito estufa, emitidos por atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, o uso de fertilizantes e o desmatamento. Esses gases atuam obstruindo a dissipação do calor terrestre no espaço29. Por várias questões práticas, os modelos climáticos referenciados pelo IPCC normalmente limitam suas projeções até o ano de 2100, são análises globais e por isso não oferecem grande definição de detalhes. Embora isso gere mais incerteza para previsão das manifestações regionais e locais do fenômeno, as tendências globais já foram bem estabelecidas e têm se provado confiáveis. Os modelos usam para seus cálculos diferentes possibilidades (cenários) de evolução futura das emissões de gases estufa pela humanidade, de acordo com tendências de consumo, produção, crescimento populacional, aproveitamento de recursos naturais, etc, cenários que são todos igualmente plausíveis, mas não se pode ainda determinar qual deles se materializará, pois muitas coisas podem mudar no caminho. As probabilidades estimadas com razoável segurança atualmente indicam que as temperaturas globais subirão entre 1,1°C e 6,4°C até aquela data, uma faixa de variação que depende do cenário selecionado e da sensibilidade dos modelos utilizados nas simulações. Em geral espera-se uma elevação em torno de 4°C até o fim do século. Projeções mais além são mais especulativas, mas não é impossível que o aquecimento progrida ainda mais, desencadeando efeitos devastadores30. O aumento nas temperaturas globais e a nova composição da atmosfera desencadeiam várias alterações decisivas nos sistemas da Terra. Afetam os mares, provocando a elevação do seu nível e mudanças nas correntes marinhas e na composição química da água, verificando-se acidificação, dessalinização e desoxigenação. Prevê-se uma importante alteração em todos os ecossistemas marinhos, com impactos na sociedade humana em larga escala31. Afetam irregularmente o regime de chuvas, produzindo enchentes e secas mais graves e frequentes; tendem a aumentar a frequência e a intensidade de ciclones tropicais e outros eventos meteorológicos extremos como as ondas de calor e de frio; devem provocar a extinção de grande
28 IPCC. Climate Change 2013: The Physical Science Basis: Technical Summary. Contribution of Working Group I (WGI) to the Fifth Assessment Report (AR5) of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), 2013.
29 United States National Academy of Sciences. “Understanding and Responding to Climate Change”, 2008.
30 IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007 . Betts, Richard A. et al. “When could global warming reach 4°C?” In: Phil. Trans. R. Soc. A, 2011; 369 (1934):67-84.
31 IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007. Betts, Richard A. et al. “When could global warming reach 4°C?” In: Phil. Trans. R. Soc. A, 2011; 369 (1934):67-84
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número de espécies e desestruturar ecossistemas em larga escala, e gerar por consequência problemas sérios para a produção de alimentos, o suprimento de água e a produção de bens diversos para a humanidade, benefícios que dependem da estabilidade do clima e da riqueza dos ecossistemas32. O aquecimento e as suas consequências serão diferentes de região para região, mas a natureza destas variações regionais ainda é difícil de determinar de maneira exata, mas sabe-se que nenhuma região do mundo será poupada de mudanças, e muitas serão penalizadas pesadamente, especialmente as mais pobres. O Ártico é a região que está aquecendo mais rápido, verificando-se progressivo derretimento do permafrost e do gelo marinho, temperaturas recorde, secas mais intensas e profunda modificação em seus biomas, com desaparecimento de espécies nativas e invasões em massa por espécies exóticas. Gelos de montanha em todo o planeta estão também em recuo acelerado, modificando seus respectivos ecossistemas e reduzindo a disponibilidade de água potável33. Mesmo que as concentrações de gases estufa cessem imediatamente, certas reações já foram desencadeadas e seus efeitos não podem mais ser evitados, de forma que, se já existem muitos problemas, inevitavelmente eles vão piorar em alguma medida por um efeito cumulativo retardado. É evidente que a mudança para um modelo econômico de baixa emissão não acontecerá de imediato, por isso a sociedade deve preparar-se para enfrentar em breve dificuldades maiores do que as que vive hoje. Ao mesmo tempo, isso diz que as mudanças devem se acelerar o quanto antes para que dificuldades ainda mais dramáticas não se concretizem, o que lançaria um pesado fardo para as futuras gerações, provavelmente impossível de ser suportado, que levaria ao colapso da civilização34. Apesar de a maioria dos estudos ter seu foco até 2100, já se sabe também que o aquecimento e suas consequências deverão continuar por séculos adiante, e algumas consequências, graves, serão irreversíveis dentro dos horizontes da atual civilização35.
32 IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007. Barnosky, Anthony et al. Scientific Consensus on Maintaining Humanity’s Life Support Systems in the 21st Century: Information for Policy Makers. Millenium Alliance for Humanity and the Biosfere, 2013
33 IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007. Barnosky, Anthony et al. Scientific Consensus on Maintaining Humanity’s Life Support Systems in the 21st Century: Information for Policy Makers. Millenium Alliance for Humanity and the Biosfere, 2013. Myneni, Ranga. “Amplified Greenhouse Effect Shaping North into South”. EurekAlert, 10/03/2013.
34 IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007. The Royal Society. [Raven, John, et al.]. Ocean acidification due to increasing atmospheric carbon dioxide. Policy document 12/05, Junho de 2005. Steiner, Achim. “Mensagem do Diretor Executivo do PNUMA”. In: Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica. Panorama da Biodiversidade Global 3, 2010, p. 6. Ki-Monn, Ban. “Prefácio do Secretário Geral das Nações Unidas”. In: Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica. Panorama da Biodiversidade Global 3, 2010, p. 5. Betts, Richard A. et al. “When could global warming reach 4°C?” In: Phil. Trans. R. Soc. A, 2011; 369 (1934):67-84 Myneni, Ranga. “Amplified Greenhouse Effect Shaping North into South”. EurekAlert, 10/03/201.
35 IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007. The Royal Society. [Raven, John, et al.]. Ocean acidification due to increasing atmospheric carbon dioxide. Policy document 12/05, Junho de 2005.
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Os governos do mundo em geral trabalham hoje para evitar uma elevação da temperatura média acima de 2ºC, considerada o máximo tolerável antes de se produzirem efeitos globais em escala catastrófica36. Num cenário de elevação de 3,5°C a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais – IUCN prevê a extinção provável de até 70% de todas as espécies hoje existentes37. Se a elevação chegar ao extremo de 6,4°C, que não está descartada, e de fato a cada dia parece se tornar mais plausível, pode-se prever sem dúvidas mudanças ambientais em todo o planeta em escala tal que comprometerão irremediavelmente a sobrevivência da civilização como hoje a conhecemos, bem como da maior parte de toda a vida na Terra38. Com um modelo de vida predatório e imprevidente, a sociedade já está esgotando mais de 60% das riquezas naturais da Terra, produzindo taxas de emissão de gases estufa em elevação contínua. Considerando que a população mundial está em crescimento rápido, devendo chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050, e que lá suas necessidades de recursos naturais serão muito maiores do que as atuais, entende-se assim por quê, se a geração presente não fizer nada para mudar as tendências em vigor de seu modo de vida, deixará de herança um planeta à beira da exaustão e com um clima profundamente perturbado, tornando a sobrevivência das gerações futuras necessariamente muito mais difícil. Neste sentido, esperam-se importantes desafios sociais se agravando em larga escala, como a fome, a pobreza e a violência39. Muitas pesquisas mais recentes trouxeram novas evidências de que as projeções do IPCC por mais preocupantes que já sejam, foram conservadoras, e que as medidas preventivas e mitigadoras adotadas pela sociedade estão acontecendo num ritmo lento demais e são pouco ambiciosas, aumentando, portanto, a probabilidade de que o resultado da inação seja desastroso num futuro próximo40.
36 Betts, Richard A. et al. “When could global warming reach 4°C?” In: Phil. Trans. R. Soc. A, 2011; 369 (1934):67-84. Meinshausen, Malte et al. “Greenhouse-gas emission targets for limiting global warming to 2ºC”. In: Nature, 2009; 458 (30):doi:10.1038
37 IUCN. What Kind of World Do We Want? Video, cit. em 2:23min. Shah, Anup. “Loss of Biodiversity and Extinctions”. Global Issues, 03/05/2013.
38 IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007. Betts, Richard A. et al. “When could global warming reach 4°C?” In: Phil. Trans. R. Soc. A, 2011; 369 (1934):67-84
39 Steiner, Achim. “Mensagem do Diretor Executivo do PNUMA”. In: Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica. Panorama da Biodiversidade Global 3, 2010, p. 6. Ki-Monn, Ban. “Prefácio do Secretário Geral das Nações Unidas”. In: Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica. Panorama da Biodiversidade Global 3, 2010, p. 5. Nellemann, C. et alii (Eds). “The environmental food crisis – The environment’s role in averting future food crises”. UNEP Rapid Response Assessment Series. United Nations Environment Programme, GRID-Arendal
40 Rignot, E. et alii. “Acceleration of the contribution of the Greenland and Antarctic ice sheets to sea level rise”. In: Geophysical Research Letters, mar/2011; 38(5) Ki-Monn, Ban. “Prefácio do Secretário Geral das Nações Unidas”. In: Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica. Panorama da Biodiversidade Global 3, 2010, p. 5 Morss, Elliott. “Global Warming Is Here, Getting Worse – What Should We Do?”. Global Economic Intersection, 07/09/2012. Pierce, Charles P.”Further Evidence That Global Warming Is Getting Worse: Pollution, Disease & Planetary Food Riots Are Coming!”. Esquire, 26/12/2012. Romm, Joe. “Stunning new sea level rise research, Part 1: Most likely 0.8 to 2.0 meters by 2100”. Climate Progress, 05/09/2008. Romm, Joe. “Sea levels may rise 3 times faster than IPCC estimated, could hit 6 feet by 2100”. Climate Progress, 09/12/2009. IPCC Working Group III. Activities. Fifth Assessment Report. IPCC [Edenhofer, O. et al. (eds.)]. Workshop Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change Workshop on Socio-Economic Scenarios. Technical Support Unit, Potsdam Institute for Climate Impact Research, 2012. Barnosky, Anthony et al. Scientific Consensus on Maintaining Humanity’s Life Support Systems in the 21st Century: Information for Policy Makers. Millenium Alliance for Humanity and the Biosfere, 2013
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Embora a imprensa ainda alimente muitas controvérsias, frequentemente mal informadas, tendenciosas ou distorcidas, e haja grande pressão política e econômica para se negar ou minimizar as fortes evidências já reunidas41, o consenso científico é de que o aquecimento global está a acontecer inequivocamente, e precisa ser contido com medidas vigorosas sem nenhuma demora, pois os riscos da inação, sob todos os ângulos, são altos demais42. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações43. Neste sentido é a Declaração do Presidente do IPCC em Genebra, Suíça, confirmando com ainda maior segurança a origem humana do problema, e enfatizando que os riscos da inação se tornaram maiores44.
41 Cooper, Caren B. “Media literacy as a key strategy toward improving public acceptance of climate change science”. Resumo. In: BioScience, 2011; 61(03):231-237. Boykoff, Maxwell T. & Boykoff, Jules M. “Balance as Bias: global warming and the U.S. prestige press”. In: Global Environmental Change, 2004; 14:125–136. Adam, David. “Amazon could shrink by 85% due to climate change, scientists say”. The Guardian, 11/03/2009. Begley, Sharon. “The Truth About Denial”. Newsweek Magazine, 13/08/2007. Sandell, Clayton. “Report: Big Money Confusing Public on Global Warming”. ABC News, 03/01/2007. “US climate scientists pressured on climate change”. NewScientist, 31/01/2007 Oreskes, Naomi. “Beyond the Ivory Tower: The Scientific Consensus on Climate Change”. In: Science, dez/2004; 306(5702):1686
42 IPCC (2007b) [Core Writing Team, Pachauri, R.K and Reisinger, A. (eds.)]. Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2007. The Royal Society. [Raven, John, et al.]. Ocean acidification due to increasing atmospheric carbon dioxide. Policy document 12/05, Junho de 2005.
Oreskes, Naomi. “Beyond the Ivory Tower: The Scientific Consensus on Climate Change”. In: Science, dez/2004; 306(5702):1686
“Joint Science Academies’ Statement: Global response to climate change”. The National Academies, 07/06/2005
The National Academies. “Understanding and Responding to Climate Change”. Highlights of National Academies Reports, 2008
Barnosky, Anthony et al. Scientific Consensus on Maintaining Humanity’s Life Support Systems in the 21st Century: Information for Policy Makers. Millenium Alliance for Humanity and the Biosfere, 2013
43 A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação. Oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável. Ela reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. O documento é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos.
44 Motta, Claudia. “Gelo no Ártico pode diminuir 94% e o nível do mar subiria 82 cm até 2100”. O Globo, 27/09/2013. IPCC. Summary for Policymakers. Working Group I Contribution to the IPCC Fifth Assessment Report Climate Change 2013: The Physical Science Basis.
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Declaração Rajendra K. Pachauri Presidente do IPCC, para a Cerimônia de Abertura da Cúpula do Clima da ONU – 23 de setembro de 2014
Bom dia. Saúdo Sua Excelência o Secretário-Geral da organização deste evento marcante. Tenho o privilégio de estar aqui para apresentar um resumo do Quinto Relatório de Avaliação do IPCC. O relatório, compilado por centenas de cientistas, é a avaliação mais abrangente do clima mudar já realizada. Três mensagens-chave surgiram a partir do relatório: Um – A influência humana sobre o sistema climático é clara – e em franco crescimento; Dois – Temos de agir rápida e decisivamente, se queremos evitar resultados cada vez mais destrutivos; Três – Nós temos os meios para limitar as mudanças climáticas e construir um futuro melhor. Permitam-me abordar cada um desses pontos. Nós temos provas abundantes de que estamos mudando nosso clima. A atmosfera e os oceanos têm aquecido, a quantidade de neve e gelo tem diminuído, e mar nível aumentou. Cada uma das três últimas décadas tem sido sucessivamente mais quente na superfície da Terra do que qualquer precedente, desde a década de 1850. Gases de efeito estufa na nossa atmosfera aumentaram para níveis sem precedentes no passado em 800.000 anos. Nossa hora de agir está se esgotando. Se quisermos que a chance de limitar o aumento global da temperatura para 2 graus Celsius, as emissões devem atingir o pico em 2020. Se continuarmos os negócios como de costume, a nossa oportunidade de permanecer abaixo do limite de 2°C vai escapar bem antes de meados do século. Mais ainda, quanto mais esperarmos, maior o risco de impactos graves, generalizadas e irreversíveis. – Alimentos e escassez de água – O aumento da pobreza – Migrações que poderiam aumentar o risco de conflito violento forçado – Secas e inundações extremas. – O colapso das camadas de gelo que inundam nossas cidades costeiras. E um aumento constante no nosso número de mortes, especialmente entre os mais pobres do mundo. Como a Terra é que podemos deixar para nossos filhos um mundo como este? Eu não tenho certeza que eu poderia estar diante de vocês, se as ameaças das mudanças climáticas não tivessem soluções. Mas eles fazem. Nós já temos os meios para construir um mundo melhor e mais sustentável. As soluções são muitas e permitem a continuação do desenvolvimento econômico. Enquanto algumas tecnologias precisam de desenvolvimento adicional, muitos já estão disponíveis. A energia renovável é uma opção real. Metade de nova capacidade de geração de energia elétrica do mundo em 2012 veio de fontes renováveis. Temos também grandes oportunidades para melhorar a eficiência energética. E nós podemos reduzir ainda mais as emissões por parar o desmatamento. Somos informados de que a limitação das alterações climáticas vai ser muito caro. Não vai. Mas espere até chegar a projeto de lei para a inação. Existem custos de agir – mas não são nada em comparação com o custo de inação. Tudo se resume a uma questão de escolha. Podemos continuar nosso caminho existente e enfrentar diretas consequências. Ou podemos ouvir a voz da ciência, e determinação para agir antes que seja tarde demais. Essa é a nossa escolha. Obrigado pela atenção. Para mais informações, entre em contato: IPCC Press Office, e-mail: IPCC-media@wmo.int Jonathan Lynn, em Nova York, + 41 79 666 7134.

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