Projetos de Carbono – O papel do Brasil no acordo mundial sobre mudanças climáticas

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Projetos de Carbono – O papel do Brasil no acordo mundial sobre mudanças climáticas

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                                                                                                                      Gisele Victor Batista
Drª Engenharia Civil, Geógrafa

Às vésperas da COP 22, reunião da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – UNFCCC, que ocorrerá em Marrakesh, em novembro deste ano, um a um, os países membros estão ratificando o Acordo de Paris. Isto significa que as nação estão assumindo, ao seu tempo, o compromisso acordado na capital francesa, em novembro de 2015, quando todo o planeta comungou esforços à redução das emissões dos gases do efeito estufa (GEE).

Recentemente, foi divulgado um relatório que apontou que as concentrações mensais de dióxido de carbono (CO2) atmosférico vão atingir um novo pico próximo de 408 partes por milhão (ppm), o que representa os mais altos níveis observados nos últimos 23 milhões de anos. Além de ser a maior concentração deste gás já registado em Mauna Loa é, também, a marca daquilo que provavelmente será a taxa mais rápida de aumento anual de CO2 já vista. Trazendo estes números a nossa realidade, podemos confirmar um aumento cada vez maior no aquecimento do planeta, onde modelos climáticos sugerem que se atingirmos algo em torno de 550 ppm, o planeta aquecerá 3°C o que dificultaria, ou mesmo reduziria em alguns casos, a vida no planeta.

O Brasil possui um papel extremamente importante no contexto mundial sobre mudanças climáticas. Estudos apontam que o desmatamento correspondeu por 35% do total dos GEE do Brasil, em 2013, o uso de energia com base em combustíveis fósseis participou com 29% das emissões brasileiras e as indústrias contribuíram com 6% das emissões totais, puxadas pela siderurgia e a produção de cimento, segmentos que mais contribuíram para as emissões no último ano do estudo. Os resíduos responderam pela menor parcela das emissões, com 3% do total, em 2013, mas o setor agropecuário representou 27% do conjunto de emissões no Brasil, tendo crescido em 160% desde 1970. Os principais contribuintes são o metano emitido pelo gado e pelos lixões a céu aberto e o pelo uso de fertilizantes nitrogenados.

A única alternativa para contornar essa situação, crítica e alarmante, é a estabilização da concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera, por meio de adoção de ações sustentáveis. Para que isso se torne realidade, o Brasil devem buscar alternativas tecnológicas para desenvolver uma economia de baixo carbono, ou seja, implantar projetos que minimizem ou até mesmo zerem as emissões dos GEE, especialmente o dióxido de carbono, gás metano e óxido nitroso, os grandes vilões do aquecimento global.

Nosso esforço doméstico para redução os gases do efeito estufa centram-se em vários setores, no intuito de atingir a meta estabelecida para 2030, quando deveremos reduzir 43% de emissão dos fases do GEE: restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de matas, recuperar 15 milhões de hectares e pastos degradados, atingir de 28% a 33% de energias renováveis não-hidrelétricas na matriz e zerar o desmatamento ilegal na Amazônia, dentre outros.

Isto que parece utopia, será a nossa sobrevivência, pois estamos caminhando para índices cada vez maiores de degradação ambiental e social. Espera-se que a adoção de medidas sustentáveis, numa economia de baixo carbono, seja o início de uma nova era, onde todos assumam a desafiante missão de manter a vida no planeta Terra.

Gisele Victor Batista – Drª Engenharia Civil, Geógrafa

Geógrafa (UDESC/UFSC), Doutora em Engenharia Civil – Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão Territorial (UFSC), Mestre em Geografia – Análise da Qualidade Ambiental (UFSC), MBA Gerenciamento de Projetos (FGV) e MBA em Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças Corporativas (IPOG). Possui larga experiência em elaboração e gerenciamento de projetos de Meio Ambiente, Urbanismo e Arquitetura, nos segmentos público e privado. Diretora da empresa Harpia Meio Ambiente, onde desenvolve Estudos para o Licenciamento Ambiental, Projetos e Comercialização de Crédito de Carbono e Plano de Negócios para Financiamentos Internacionais. É sócia-membro do Instituto Histórico Geográfico de Santa Catarina e possui diversas publicações, científicas e internacionais, em Gestão Territorial, Geotecnologias aplicada ao Licenciamento Ambiental e Economia de Baixo Carbono.

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