O QUE ACONTECE APÓS A SAÍDA DOS EUAs DO ACORDO DE PARIS?

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O QUE ACONTECE APÓS A SAÍDA DOS EUAs DO ACORDO DE PARIS?

PROJETOS DE REDD – MERCADO DE CARBONO– ACORDO DE PARIS

Gisele Vitor Batista

Nesta semana, o Presidente Donald Trump anunciou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, causando espanto e indignação em várias partes do mundo. Este acordo é um grande compromisso mundial, que tem por objetivo a adoção de medidas efetivas, a serem implantadas pelos países signatários, para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa (GEE).

Resumidamente, é o maior acordo mundial (já registrado) para preservação da vida no Planeta, que foi rejeitado pelo Presidente Trump, num discurso de renegociação do acordo climático, de maneira mais flexível para trazer vantagens comerciais aos americanos. Agora, os EUA juntam-se à Síria e à Nicarágua como as únicas nações que não fazem parte do documento.

A atitude desencadeou uma grande reação negativa da opinião pública, sobretudo dentro dos EUAs. A Conferência de presidentes de Câmara dos Estados Unidos (USCM), que reúne os autarcas das mais de 1400 cidades acima de 30 mil habitantes, comunicou que os seus associados vão manter o compromisso de reduzir a emissão de gases com efeito de estufa para diminuir o seu impacto no aquecimento global, contrariando a decisão presidencial. Afirmaram que a USCM nunca necessitou da administração norte-americana para atuar e não será neste momento que isto ocorrerá.

Ainda, um grupo de 12 governadores americanos de estados que representam cerca de 38% do PIB do país, assinaram um manifesto informando que continuarão contribuindo com o acordo do clima, apoiados por milhares de manifestantes que foram às ruas de Nova York e Washington, bem como ativistas à Casa Branca em protestos contra a decisão de Trump. Governadores dos Estados da Califórnia, Colorado, Connecticut, Delaware, Hawaii, Minnesota, New York, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Virginia e Washington também aderiram o manifesto.

Para piorar a imagem pública do Presidente, grandes empresas opuseram-se à decisão de Trump, afirmando que manterão suas metas para atender ao Acordo de Paris. Elon Musk, presidente executivo da Empresa Tesla / SpaceX e Bob Iger da Disney, deixaram conselho consultivo de Trump em protesto à saída dos EUAs do acordo do clima. Também, Sundar Pichai, CEO do Google, Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, Satya Nadella, CEO da Microsoft e Tim Cook, CEO da Apple, posicionam-se informando que a saída do acordo é negativa às pessoas, ao planeta, à economia e aos negócios como um todo.

Os países signatários do Acordo de Paris, sobretudo a França, a Alemanha, a Itália, a Espanha, a Noruega, a China e a Russia, estão dispostos a continuar com o compromisso de reduzir a emissão dos GEE, inclusive adotando medidas mais rigorosas para atenuar a saída dos americanos. Concretamente, a decisão do mandatário republicano vai de encontro à decisão de líderes mundiais expressadas recentemente na reunião de cúpula do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo), no sentido de apoiar o acordo climático. A União Europeia informou que fortalecerá as parcerias existentes e buscará novas alianças das maiores economias do mundo, para apoiar os Estados insulares, que são mais vulneráveis.

A saída de Donald Trump do Acordo de Paris é motivada, para muitos, por questões financeiras.  De fato, o Fundo Verde é dotado de 100 bilhões de dólares, dos quais US$ 3 bilhões foram prometidos pelos Estados Unidos, mas que pagaram somente US$ 1 bilhão. Cabe destacar que a questão do financiamento é a preocupação mais importante de muitos especialistas, pois os compromissos financeiros são um elemento-chave do Acordo de Paris, ao permitir que os países do Sul desenvolvam-se com energias limpas.

Os EUAs, segundo maior emissor de gases depois da China, respondem por 18% do carbono lançado na atmosfera, ou 6,5 milhões de toneladas por ano. A saída americana tornariam ainda mais difíceis as metas do acordo, de reduzir o carbono na atmosfera de 69 bilhões de toneladas para 56 bilhões, e negociar metas futuras para manter, até 2100, o aquecimento global em nível inferior a 2ºC.

Contudo, a decisão de Donald Trump foi fatal para os Estados Unidos, mas não deve impedir ao mundo avançar na sua luta racional e voluntária contra o aquecimento global. A saída americana não suspende o Acordo de Paris, mas pelo contrário, deve acelerar a aplicação.

A luta contra a mudança climática não pode depender do resultado das eleições em um país, pois quando uma nação assina um tratado internacional, precisa cumprir com suas obrigações. Miguel Araias Cañete – Comissário europeu para ação climática.

 

Leia também: O Mercado de Carbono no Mundo

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Meio Ambiente ONU

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